Paladar

Priprioca, cumaru e açaí na cerveja

12 dezembro 2012 | 13:07 por Roberto Fonseca

DIRETO AO PINT

AMAZON BEER RED ALE COM PRIPRIOCA (Brasil, 355ml)

 

Produtor: Amazon Beer, de Belém (PA)

Preço: cerca de R$ 10 (estimativa do produtor)

Estilo: Spice, Herb & Vegetable Beer (red ale com priprioca)

Teor alc.: 6%

Cor: Castanho escuro, avermelhado (quase rubi), translucidez média a alta

Espuma: pérola, de média a alta formação e duração

Aroma: Amadeirado, algo que lembra sândalo (também me pareceu similar ao aroma da Baladin Nora), malte, adocicado sutil

Sabor: Amadeirado menos potente que no aroma, adocicado de malte, leve malte caramelo, corpo médio, final seco moderado, de leve acidez e sutil alcoólico, amargor médio a baixo, carbonatação média a alta. A amostra avaliada tinha sinais de oxidação de papel.

Nota 3,7 em 5Boa presença da priprioca, na medida, sem ser enjoativa. Oxidação de papel, porém, foi perceptível. Seria interessante ver como a base de red ale reagiria com a adição de açaí e a priprioca, na stout.

 

AMAZON BEER IPA COM CUMARU (Brasil, 355ml)

Estilo: Fruit Beer (india pale ale com cumaru)

Teor alc.: 5,7%

Cor: Castanho claro, translucidez alta

Espuma:  pérola, de média a alta formação e média duração

Aroma: Malte, biscoito, leve tostado e um quê adocicado que lembra canela ou pão doce; nota cítrica que começa muito suave e aparece um pouco mais conforme a cerveja esquenta.

Sabor: oxidação de papel bastante perceptível, malte, biscoito/grão, leve adocicado inicial, que lembra canela ou pão doce. Amargor médio a alto, final seco, corpo médio a baixo e carbonatação média a alta.

Nota 3,2 em 5 – O cumaru aparece bem no aroma e sabor, mas poderia até estar mais destacado. Apesar do bom amargor, lúpulo ficou sutil demais. E oxidação atrapalhou elementos da cerveja.

 

AMAZON BEER STOUT COM AÇAÍ (Brasil, 355ml)

Estilo: Fruit Beer (stout com açaí)

Teor alc.: 7%

Cor: Preto sólido, translucidez zero

Espuma: bege eescura e avermelhada ao mesmo tempo, densa, de alta formação e duração

Aroma: Leve malte torrado, sutil chocolate e café, algum lúpulo, sem sinal destacado de açaí no aroma

Sabor: Malte torrado, café, acidez moderada do malte torrado, sabor sutil de açaí, carbonatação média a alta, álcool perceptível mas não exagerado (gera algum calor na boca), corpo médio. Final sutil de café e malte torrado.

Nota 3,2 em 5 – A ideia do açaí é boa, mas, para dar espaço ao ingrediente (bem mais sutil que o cumaru e a priprioca), a stout teve seus principais elementos, o malte torrado e o café, muito “contidos”, e perdeu um pouco além do desejável sua identidade original. Por que não arriscar uma stout com priprioca?.

 

Depois de lançar uma cerveja com bacuri (que, a meu ver, tinha fruta demais para base de menos) e uma interessante witbier com taperebá, a Amazon Beer, de Belém (PA), coloca na praça – ou nos copos – mais três receitas com ingredientes brasileiros. As ideias e combinações, no geral, são boas, apesar de alguns problemas técnicos (havia sinais de oxidação, em maior ou menor escala, nas três amostras degustadas). Mas, já que a degustação era de cervejas pautadas pela criatividade para fugir dos estilos básicos, me ocorreram duas ideias após avaliar o trio.

A primeira é de que uma troca de posições entre a red ale e a stout seria interessante. Suponho que o açaí tenha sido escolhido como par da stout porque era o estilo cervejeiro que não teria sua cor original “avermelhada” pelo ingrediente. Apesar disso, sua espuma, mesmo bege escura, ganhou tons que beiravam o grená. Mas o resultado foi uma stout “tímida”  em elementos para não atropelar o açaí (dos três ingredientes, o menos potente em aromas e sabores). Na red ale, por sua vez, o açaí se misturaria ao tom avermelhado original da cerveja e, mesmo que tingisse a espuma dela, haveria o consolo de uma combinação de cores “ton sur ton”. A stout, por sua vez, poderia ter reforçadas suas notas de torrado e café e ainda ganharia, com a priprioca, um quê amadeirado que poderia remeter à maturação em barris. Claro que é só um chute, uma intuição, mas vale a tentativa.

A segunda é que há uma bola (ou ingrediente) quicando na área há um bom tempo, futebolisticamente falando: o cupuaçu. Será possível utilizar o fruto da região amazônica em uma cerveja, como ocorre, por exemplo, em bombons? Gostaria muito de ver uma porter com boas notas de chocolate ou uma doppelbock escura que combinassem suas notas de malte com o frutado, adocicado e leve acidez do cupuaçu. Alguém se habilita?

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