Paladar

Quando dois mundos (cervejeiros) colidem

03 dezembro 2010 | 14:12 por Roberto Fonseca

DIRETO AO PINT

Flying Dog Raging Bitch (EUA, 355ml)

Preço sugerido: R$ 18

Estilo: India Pale Ale

Teor alc.: 8,3%

Cor: Castanha avermelhada, translucidez média

Espuma: Branca, média formação e média a baixa duração

Aroma: Lúpulo, que confere cítrico forte (frutas cítricas) e destacado, adocicado como segunda força, nota muito sutil de banana e um quê de cravo/condimentado

Sabor: Lúpulo cítrico forte e resinoso (frutas cítricas), amargor médio a alto, ‘cortante’, final bem seco e com notas de banana ao fundo, além de algo condimentado, algo de tutti frutti. Álcool presidente e destacado, gera calor na boca; corpo médio, carbonatação média a alta

Nota 3,7 de 5 A combinação entre o lúpulo cítrico da IPA americana com o fermento de inspiração belga, a princípio inusitada, até é bem interessante. Mas a lupulagem e o amargor poderiam ser um pouco mais gentis e abrir mais espaço às notas frutadas e condimentadas “belgas”

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A cerveja aí de cima marca os 20 anos de existência da cervejaria Flying Dog, cuja história já havia contado em um post anterior. A ideia da receita festiva, segundo os produtores, foi unir dois “mundos” cervejeiros distintos: o americano, com uma carga de lúpulo bastante considerável e a receita=base da Snake Dog India Pale Ale mas, também, com um fermento de inspiração belga chamado El Diablo. A princípio, parece um tanto estranho unir as duas escolas, mas vá lá, já provei cervejas mais exóticas do que esta aqui em cima se insinuava no rótulo e material de divulgação.

O problema, como já venho comentando em alguns casos, é o equilíbrio. Não que uma cerveja precise ser “neutra”, com os ingredientes milimetricamente balanceando ou anulando uns aos outros. Mas é preciso ter um bom balanço para que o resultado não fique cansativo, nem por ser muito amargo ou muito doce, nem por ser muito alcoólico, por exemplo. E, como a Raging Bitch se propõe a ter uma “influência” belga em uma receita de American India Pale Ale, creio que seria mais justo que os traços condimentados/frutados aparecessem com mais intensidade, o que não foi o caso. Mesmo assim, a experiência foi válida.

Também vale destacar, mais uma vez, o interessante trabalho nos rótulos de Ralph Steadman, também conhecido no mundo dos vinhos por suas ilustrações. Como colecionador de memorabilia cervejeira, devo dizer que são alguns dos mais bem trabalhados que já vi.

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