Paladar

Radeberger: Adeus, Lênin, olá, pilsner

30 março 2009 | 23:00 por Roberto Fonseca

Ficha Radeberger Pilsner

Enquanto a russa, ruiva (e, para não perder o trocadilho, ronronante…hehehe) enfermeira Lara se empolgava por ter encontrado um apartamento vazio na antiga Alemanha Oriental e já antevia as delícias da vida a dois, o bocó Alex (interpretado por Daniel Bruhl, em bela atuação como bocó) saltitava por ter encontrado pepinos (!!!) Spreewald, ervilhas Tempo e café Rondo. Não que o protagonista de “Adeus, Lênin” não tivesse um bom propósito: afinal, fazer a mãe doente acreditar que o muro ainda estava em pé e o comunismo ia bem, obrigado, não é pouca coisa. Mais nobre do que tatuar “AMOR DMAE” nos nós dos dedos ou “empalhar” a velha, colocá-la no sofá da sala e esfaquear mocinhas no chuveiro usando as roupas e a peruca da progenitora. Trololós à parte, o que interessa é que, embora tenha dado destaque a uma série de quinquilharias da antiga RDA, o filme não passou nem perto da mais interessante delas: a cerveja Radeberger, do produtor homônimo.

Trata-se da primeira cervejaria da Alemanha que se dedicou apenas ao tipo pilsen. A influência da República Tcheca é inegável, já que a cidade natal da Radeberger, Dresden, fica a poucos quilômetros da fronteira. Conta a história que ela começou a ser produzida em 1866, e logo agradou a corte real da Saxônia, a outras regiões alemãs além de Dresden e começou a ser exportada para outros países, como Estados Unidos e Canadá.

Alex (Daniel Brühl), corre atrás de quinquilharias para remontar a RDA para a mãe doente. Mas da Radeberger, nem o cheiro. Crédito: Divulgação

A Radeberger sobreviveu a duas guerras e a mais de 40 anos de comunismo, período no qual tornou-se estatal e ganhou título de “cervejaria do povo”. Percebendo que a cerveja tinha potencial de venda, porém, o governo oriental retomou as exportações em 1956, em especial para países do bloco comunista. Mas não à Alemanha Ocidental, para onde só voltou às prateleiras após a queda do muro.

Diante da demanda dos vizinhos, saudosos em ter um produto sumido já décadas, e com o fim do apoio estatal, a cervejaria foi privatizada. Além dela, outra cervejaria do leste comprada após a queda do muro foi a Köstritzer, que produz uma cerveja escura (schwarzbier) muito boa, sobre a qual falarei mais adiante.

Em linhas gerais, a Radeberger é uma cerveja com bom amargor e mais interessante do que outras produções alemãs no mercado (achei a DAB, de Dortmund, por exemplo, bastante sem graça perto dela). Ela está sendo importada pela Nor Import. Vale a tentativa, até como forma de adaptar o paladar a cervejas mais amargas e próximas às pilsens “de verdade”. Vale lembrar que, na versão alemã do estilo, o lúpulo não tende a ser tão destacado no aroma e no sabor, mas ainda assim ela está bem acima dos padrões nacionais.

Ficou com água na boca?