Paladar

Rasen Bier: do chocolate à cerveja

12 maio 2009 | 14:11 por Roberto Fonseca

Ficha Rasen Bier Pilsen

Quando estive na Serra Gaúcha durante o Natal pela última vez, em 2005, fiquei com a impressão de que as cidades de Gramado e Canela “rivalizavam” em suas decorações de época para ver quem chamava mais a atenção dos turistas.Se em Gramado há a Aldeia do Papai Noel, em Canela há a Aldeia da Mamãe Noel, e por aí vai. Deixando gnomos e renas de lado, porém, até há bem pouco tempo Canela levava vantagem em um “presentinho” que faz marmanjos soltarem um “ho ho ho” quando o veem (e provam): a cerveja. Já há alguns anos, os cidadãos canelenses têm à sua disposição a bela Cervejaria do Farol, sobre a qual falarei mais adiante. Para não ficar para trás, os gramadenses também tem uma nobre bebida para chamar de sua agora: a Rasen Bier. Ou, em português, “Cerveja de Gramado”.

Além do nome, a origem da produção tem uma outra curiosidade. Se algumas micros primeiro começaram a fazer cerveja para depois inventar uma receita com chocolate, a Rasen, teoricamente, “nasceu” ligada ao nobre subproduto do cacau. Os irmãos Augusto e Guilherme Schwingel Luz pertencem à família dona da marca de chocolates Lugano, de Gramado. O “start” da micro ocorreu no finalzinho de 2008, e a capacidade atual é estimada em cerca de 10 mil litros mensais. Por ora, a Rasen produz apenas uma pilsen que segue a Lei de Pureza Alemã (apenas malte, lúpulo, água e fermento).

Ficou com água na boca?

Dei de cara com uma long neck da cerveja – também vendida em barril por lá – quando fui ao evento da Acerva Gaúcha em Porto Alegre, mês passado, e decidi trazer uma para casa. Em linhas gerais, é uma cerveja agradável, ainda mais porque foi degustada no final de uma “sessão de avaliação” da Guitt’s Extra e da Bitburger brasileira. Mas creio que, por ser a “cerveja de trabalho” da Rasen, a pilsen gramadense careça de um pouco mais de amargor para fazer jus ao estilo. O lúpulo aromático está lá, presente. Mas falta algo para fazer mais frente ao doce do malte.

Justiça seja feita, porém, o nível de amargor dela é rigorosamente igual ao de outras pilsens artesanais brasileiras – à exceção da mineira Wäls Bier, a mais amarga do estilo em fabricação, e da saudosa Tcheca. Além disso, uma fábrica tem de ter uma cerveja com muita saída, para bancar experiências que atenderão a segmentos mais restritos do público. Se for esse o caso, faço votos para que, em breve, Gramado e Canela tenham uma rivalidade saudável para decidir quem faz as melhores cervejas da região, ao estilo de algumas cidades produtoras da Alemanha.