Paladar

Regadas a rum e pimenta

14 dezembro 2011 | 23:21 por Roberto Fonseca

Rogue Chipotle Ale (EUA, 650ml)

Produtor: Cervejaria Rogue, dos Estados Unidos; importada pela Tarantino

Preço Estimado: de R$ 38 a R$ 48

Estilo: Spice/Herb/Vegetable Ale – com pimenta chipotle

Teor alc.: 5,5%

Cor: Castanho avermelhada, translucidez média

Espuma: Bege clara, média a alta formação e duração

Aroma: Malte, defumado/fumaça, sensação condimentada (seria influência por saber que tem pimenta na receita?), malte caramelo, lúpulo muito sutil

Sabor: Malte, leve defumado inicial, lúpulo moderado (herbal?), pimenta que começa a aparecer após o segundo ou terceiro gole, gera algum calor na língua e na garganta, maltes caramelo e tostado. Final seco e picante, carbonatação média a alta, amargor médio, corpo médio a baixo.

Nota 3,7 em 5Boa cerveja, que entrega o que promete – a pimenta – e deixa sua marca em boa dose, sem ser exagerada a ponto de comprometer o equilíbrio e ofuscar os demais ingredientes. Poderia apenas ter um pouco mais de corpo.  

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Rogue John John Hazelnut Ale (EUA, 650ml)

Estilo: Brown Ale com essência natural de avelã

Teor alc.: 5,6%

Cor: Castanho escuro, translucidez quase zero

Espuma: Bege clara, média formação e média a baixa duração

Aroma: Avelã, madeira, maltes tostado e caramelo, baunilha, nota acética/ácida bem destacada, álcool distinto do natural da cerveja (seria o rum?)

Sabor: Acidez/acético iniciais bastante presentes, algum esmalte, baunilha, madeira. Nota alcoólica do rum aparece contida e, ao fundo, há um quê de maçã verde; final seco e ácido. Corpo médio, amargor baixo, carbonatação idem.

Nota 3,0 em 5Cerveja tem boas notas de avelã e madeira, mas parece “fraca” demais para o barril, deixando transparecer acidez muito potente sem que exista doçura de malte ou corpo mais denso para equilibrá-la. Fica cansativa depois dos primeiros goles.

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Depois de um bom tempo fora das prateleiras brasileiras, as cervejas da Rogue, de Newport, no Oregon (EUA) voltaram. Além das 10 receitas da primeira leva de importação – das quais as que realmente valiam a degustação eram, na opinião deste que escreve, a Hazelnut Brown e a Brutal Bitter, rebatizada de Brutal IPA no novo lote -, vieram mais oito rótulos novos. Provei dois deles para matéria que saia amanhã no Paladar: Chipotle Ale e John John Hazelnut Brown Ale.

A Chipotle, segundo a cervejaria, é dedicada ao poeta e dramaturgo espanhol Juan de la Cueva, que, em 1575, teria feito texto sobre um prato que misturava pimentas chipotle com cerveja. A receita base do rótulo é a Oregon Golden Ale, que na produção recebe pimentas chipotle defumadas. Tem, além de 5,5% de teor alcoólico, 35 Unidades de Amargor (contra menos de 10 de uma lager industrial). Sem termos mais a italiana Verdi Imperial Stout do Birrificio del Ducato por aqui, a Chipotle Ale passou a ser, salvo engano, a única cerveja comercial com adição de pimentas disponível (há versões caseiras interessantes). Achei a receita da Rogue bem honesta, com boa picância, sem exageros. O fabricante ainda recomenda algo inusitado: tomar a Chipotle junto com outro rótulo trazido ao Brasil, a Chocolate Stout, para fazer um “black & tan” à mexicana, ou chocolate com pimenta.

Já a John John Hazelnut Ale é uma brown ale com 5,6% e 34 Unidades de Amargor que leva essência natural de avelã e é maturada em barris do rum Hazelnut Spice, também produzido pela marca (sim, eles vão além das fermentadas). O nome deriva de uma parceria entre os dois Johns da Rogue: o Maier, mestre cervejeiro, e o Couchot, mestre destilador. A primeira sensação da cerveja é interessante: um aroma complexo, com notas de baunilha, avelã, álcool e malte, com um quê ácido. Na boca, porém, percebe-se uma nota ácida/acética fora de equilíbrio – não há malte para fazer frente a essa característica. Não que seja a coisa mais ácida do mundo; não chega perto de uma boa lambic, mas é um elemento que incomoda depois de alguns goles. Pensando sobre o assunto, percebi que todas as cervejas que tomei até hoje com maturação em madeira ou eram bem mais fortes e densas em termos de malte que a Hazelnut (e o malte deveria balancear bem a acidez), ou eram blends entre cervejas de barril de madeira e de tanque de alumínio, o que também atenuaria o efeito ácido, ou eram sour ales. Veredicto: não curti muito, não, apesar de reconhecer que a cerveja tem elementos interessantes.

Além das duas e da Chocolate Stout, chegam como novidades a imperial india pale ale I²PA, a Irish Lager, a Half-E-Weizen (trocadilho com Hefeweizen, ou cerveja de trigo alemã não filtrada), a Chatoe Single Malt e a Captain Sigs Deadliest Ale. Serão vendidos, ainda, os chopes da Hazelnut Brown, da Brutal IPA e da Dead Guy Ale. Entre as antigas, estarão disponíveis a Shakespeare Stout, a Hazelnut Brown, a Morimoto, a Morimoto Black, a American Amber, a Dead Guy Ale, a Mocha Porter, a Juniper Pale Ale, a St. Rogue e a Brutal IPA. As long necks variam de R$ 23 a R$ 36 e as de 650ml, de R$ 36 a R$ 48.

Há, ainda, uma promoção em 20 locais da cidade em que long necks e chopes custam R$ 18 e as de 650ml, R$ 37. Quem conseguir tomar uma Rogue em cada um dos 20 locais (realmente difícil) até fevereiro poderá participar da elaboração de um lote de cervejas com materiais fornecidos pela Rogue. Mais informações aqui.

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