Paladar

Se voar, não beba

10 outubro 2009 | 15:52 por Roberto Fonseca

Fachada do Bar da Eisenbahn em Guarulhos

Fachada do bar da Devassa em Guarulhos

Gosto desse conselho expresso no título porque ele é multiuso. Serve, além do óbvio uso para pilotos, tanto para famosos que não querem figurar nas colunas de fofoca após “exagerar” na atuação a bordo do avião quanto para quem quer tomar uma “saideira” de cerveja brasileira antes de deixar o território nacional por um tempo. Foi este último aspecto que me deixou um tanto inconformado quando estava de partida para o tour cervejeiro na França/Itália.

Já fazia um tempo que queria conhecer o bar da Eisenbahn no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Ele fica no embarque internacional junto com uma unidade da Devassa (que é a representante solitária para quem voa dentro do território brasileiro). Ambas são hoje controladas pela Schincariol. Como fiquei um tanto traumatizado com horários de avião após perder o voo BH-SP na volta do concurso nacional de cervejas caseiras em 2008, tenho chegado cedo aos aeroportos desde então, o que é precavido, mas um tanto maçante pela falta do que fazer. Por isso considerava que tomar uma cervejinha nesse meio tempo seria interessante.

Mas deixei de considerar essa hipótese tão logo entrei no bar (na verdade, quando estava quase caindo dentro do caixa, para espiar os preços no quadro pregado na parede…acho que preciso de óculos). Os preços são bastante salgados: os chopes, disponíveis nas versões pilsen e weiss, custavam R$ 8,10 e R$ 13,10. As cervejas em long neck variavam de R$ 10,10 a R$ 12,10. Não custa lembrar que, no mercado, as garrafinhas não saem mais de R$ 4, e nos bares costumam girar em torno de R$ 8. Já o chope, dependendo da pesquisa, chega a R$ 7. No bar da Devassa a coisa não é tão melhor: os chopes Loura (pilsen) e Índia (IPA) saem R$ 7,10 (300ml) e R$ 12,10 (500ml) e as long necks, R$ 8,10 (no mercado, a versão em garrafa também fica abaixo dos R$ 4).

Lógico que as duas marcas podem cobrar o preço que consideram justo pelos seus produtos. Mas desisti de tomar a “saideira”. Por um lado, penso que isso ocorreu porque quem viaja ao exterior tende a ficar mais “pão-duro” com seus recursos (afinal, invariavelmente vai gastar em dobro ou triplo, dependendo do valor da moeda estrangeira em relação ao Real). Mas também não concordo em pagar mais do que o faria em um bar, por mais que as duas cervejarias tenham montado espaços próprios. Talvez o objetivo seja atrair os visitantes estrangeiros que retornam aos seus países e querem torrar os últimos reais numa cervejinha. Mas, até para amenizar o “exílio” temporário de quem deixa o País, bem que poderiam cobrar um valor mais camarada para os compatriotas.

Ficou com água na boca?