Paladar

Slava: uma cerveja, muitas constatações

13 julho 2009 | 21:41 por Roberto Fonseca

Ficha Slava Pils

“Não adianta chorar pela cerveja derramada” é a primeira coisa a dizer neste post. Ou, como o ditado que Conrad Seidl transcreveu em seu “Catecismo da Cerveja”, “seria bom que a cerveja voltasse ao barril”. Porque a pilsen aí em cima já era aqui em São Paulo. Caput. Finita. History. Estava à venda na forneria Melograno, na Vila Madalena; felizmente, consegui provar um copo e tirar dele algumas impressões (e notícias) antes do feriado.

A primeira é alentadora. A Slava Pils e a Abadessa Export, produzidas pela microcervejaria Abadessa, em Pareci Novo (RS), devem aportar por aqui neste segundo semestre – setembro é a aposta atual. O cervejeiro Herbert Schumacher, que produz a dupla, fechou parceria com uma distribuidora – o grande desafio é trazer a cerveja para cá refrigerada, já que não é feita pasteurização. Foi conversando com Schumacher em 2007 que ouvi pela primeira vez o ditado alemão que diz, mais ou menos, que “a cerveja mantém sua qualidade se distribuída até onde se enxerga a chaminé de sua fábrica”. Por um lado, a regra, se seguida hoje, poderia levar à abertura de um sem-número de microcervejarias a cada bairro. Por outro, se isso não ocorresse e ainda assim a regra valesse, eu seria forçado a me mudar para Pinheiros (onde há uma micro sem chaminé, a Nacional FT) ou para perto de uma “taverna”. Façamos figa por ora; tendo mais notícias, postarei aqui.

A segunda constatação é de que o mercado cervejeiro artesanal, em especial o de pilsen, anda a passos largos. Em 2007, diria – e disse – sem pestanejar que a Slava era a melhor pilsen do Brasil. E era mesmo. Mas já surgiram tantos outros exemplares que a disputa ficou muito acirrada. Pelo Ibob, acho que o ranking estaria mais ou menos assim (e com a devida ressalva de que estamos agrupando pilsens de influência alemã e tcheca):

1) Tcheca (a finada cerveja feira pela Bamberg com receita da Biertruppe)
2) Wäls Pilsen
3) Bamberg Pilsen, Lolita (cria da Nacional FT) e Slava
4) Colorado Cauim e Eisenbahn Pilsen

Acho que a Heineken ficaria em algum lugar entre o item 3 e o 4. Em 2005, ela foi a líder entre as pilsens industriais brasileiras, e acho que mantém o título. A Bamberg Pilsen foi a vencedora de teste das artesanais em 2008, mas ainda não havia nem Wäls Pilsen nem, principalmente, a Tcheca (que já se foi, apesar dos insistentes pedidos do público; pô, Biertruppe, se manquem, né…hehehe). Nem por isso, porém, a Slava deixa de ter seus méritos: um deles, na minha opinião, é que sua lupulagem faz com que ela tenha algo cítrico, fugindo um pouco do herbal/floral de outras pilsens. E dividir um “bronze”, em um país que tem cerca de 100 microcervejarias que produzem pelo menos um produto “tipo pilsen” é um resultado e tanto.

Resta agora esperar pelo retorno da Slava. Ou ir a Porto Alegre prová-la (hehehe). Como já optei pelo item ‘b’ no começo do ano, agora vou esperá-la por aqui.

Ficou com água na boca?