Paladar

Super Bock: mas não é bock, ó pá!

30 abril 2009 | 14:44 por Roberto Fonseca

Ficha Super Bock Gold

Como neto de portugueses (e filho e neto de Joaquins), devo confessar que, mais do que a cerveja, o que me despertou a curiosidade na nobre bebida aí de cima foi o nome. Bock é um estilo de cerveja de origem alemã, de baixa fermentação. Mas que não existe na carta da cervejaria portuguesa, ao menos atualmente. Para tentar desvendar o mistério, fui ao site do produtor, olhei o item “história da marca”…e nada. Há até uma cópia do registro do nome Super Bock, mas nem uma linha sobre quem teve a brilhante ideia. Mandei um e-mail com a pergunta e, da mesma forma, nem sinal de vida. Devem ter achado que era “piada de brasileiros…” hehehe.

O fato é que o nome acaba gerando uma confusão cômica: já pensou em pedir uma Super Bock Pilsen? Ou que tal uma Super Bock Stout? Ao menos os irmãos lusitanos não estão sozinhos, já que na América Latina muitas marcas de cerveja resolveram, simplesmente, se apropriar do nome Pilsen para batizar suas crias. Veja o caso do Uruguai: lá eles têm uma Pilsen, (que também é vendida por aqui). Mas, nos últimos anos, resolveram fazer uma versão stout da marca. Adivinhem como se chama? Pilsen Stout. E olha que, ao contrário de bock e pilsen, que são ambas lagers (de baixa fermentação), a stout é, historicamente, uma ale, de alta fermentação.

Meu palpite mais provável é que a cerveja original tenha sido uma bock. Que, com o tempo, foi ganhando outras “irmãs” de estilos diferentes. Ela sumiu e deixou o impasse: matar a marca e fazer sentido em termos cervejeiros ou mandar a lógica para as cucuias? A alternativa, que seria traduzir a marca, não parece muito fortuita: afinal, quem compraria uma cerveja chamada Super Bode? (que é uma das possíveis traduções para a palavra alemã). Se alguém souber a resposta do mistério do nome Super Bock, por favor avise (rs).

Palhaçadas à parte, voltamos ao assunto principal: a Super Bock Abadia Gold, que começou a ser vendida em março de 2008 por aquelas bandas. Confesso que a achei bem fraquinha e “rasa” para ser uma cerveja de influência belga. Pelo menos na opinião do humilde blogueiro, uma cerveja de Abadia deveria ter aromas e sabores mais complexos que o produto em questão. A Super é doce demais,e isso se reflete no nariz e na boca. Chega a lembrar, a grosso modo (já que há evidentes diferenças de estilo e família cervejeira) e por curiosidade do destino, uma bock (e, infelizmente, não das melhores). Falta provar a versão Rubi, que, como a Gold e a Super Bock lager, é vendida no Brasil pela Adega Alentejana. Ao menos a garrafa, com a inscrição “Abadia” em alto relevo, é bonita. A cor também. Mas, infelizmente, nem tudo que reluz é ouro.