Paladar

Um dia à la Michael Jackson

04 dezembro 2012 | 12:37 por Roberto Fonseca

Os três uísques Jura (da esquerda para a direita, 10 anos, 16 anos e Prophecy) e, ao fundo, as cervejas da Brewdog Bitch,Please e Paradox Jura (Foto:Roberto Fonseca/Estadão)

 

Antes de mais nada, cabe esclarecer o título acima. O Michael Jackson mencionado ali é o finado jornalista e escritor britânico (morto em 2007), que dedicou boa parte da vida profissional a pesquisar e avaliar cervejas, além de contar as histórias de quem produz a bebida. Ele estendeu a curiosidade ao uísque, tendo escrito, também, um livro sobre a bebida, em 1989.

Ficou com água na boca?

Com esse histórico, foi impossível não lembrar dele quando em sentei à mesa para uma degustação de uísques escoceses da ilha de Jura, acompanhados de cervejas que usam os mesmos barris da bebida destilada (quando eles já não são mais aproveitados para uísque). Pessoalmente, prefiro focar as atenções (também pela falta de tempo) apenas nas cervejas, deixando outras bebidas a cargo de quem tem mais conhecimento. Mas a comparação das fermentadas e dos destilados, lado a lado, pareceu-me uma boa oportunidade de aprendizado.

A “escalação” foi montada com três uísques da ilha escocesa de Jura – de 10 anos (40% de teor alcoólico), 16 anos (40%) e o defumado Prophecy (46% de teor alcoólico) – e duas cervejas da conterrânea Brewdog: a Paradox Jura, uma imperial stout de 15% maturada, como sugere o nome, em barris de uísque Jura, e a Bitch, Please, barley wine de 11,5% feita em parceria com a norte-americana 3Floyds, que também passa pelos barris do destilado da ilha.

Entre os uísques, o que mais chamou a atenção, ao menos para este que escreve, que se baseava mais nas similaridades cervejeiras do que em conhecimento do destilado, foi o Prophecy. As notas defumadas de turfa – no trio degustado, o único elemento que se sobrepôs ao álcool inicial – lembraram muito as próprias Brewdogs, a De Molen Rook&Vuur e, mais longe nas lembranças, a Unibroue Raftman. O de 10 anos pareceu ser o “uísque de trabalho” da marca, para consumo mais frequente. E, embora tenha o mesmo teor da versão de 10 anos, a de 16 anos mostrou notas alcoólicas bem mais potentes, junto com licorosidade mais destacada.

Entre as cervejas, a Paradox mostrou, após algum aquecimento, notas de defumado moderado e madeira sutil no aroma e sabor – mas os maltes escuros e o residual adocicado e denso ficam em primeiro plano. No caso da Bitch, Please, foi preciso esperar o lúpulo se dissipar um pouco do aroma para também sentir o defumado de turfa e um quê de madeira. No frigir dos ovos, os pontos altos da comparação foram a Paradox e o Prophecy, que renderam um interessante “duelo” gole a gole.

Para quem quiser reproduzir a experiência, o Empório Alto dos Pinheiros, onde ocorreu o evento, deve servir uma dose de cada um dos uísques e a Paradox Jura por R$ 75.

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