Paladar

Vintage da Colorado vira Ithaca e é liberada

09 junho 2010 | 15:48 por Roberto Fonseca

Há algumas semanas, comentei, de passagem, sobre a dificuldade que alguns produtores microcervejeiros estavam tendo em aprovar suas crias no Ministério da Agricultura em São Paulo. Citei, especificamente, dois casos, da Colorado, de Ribeirão Preto, com sua Vintage Black Rapadura Ale, e da Bamberg, de Votorantim, com sua Vintage nº 1, maturada 100 dias em barris de carvalho. Embora de estilos diferentes – a primeira é uma imperial stout e a segunda, uma barley wine -, ambas estavam unidas pelo mesmo problema: a palavra Vintage não era aceita na hora de aprovar o rótulo.

Marcelo Carneiro da Rocha, dono da Colorado, decidiu mudar o nome da cerveja e, segundo informou há pouco o Rodrigo Nikima, gerente de marketing da microcervejaria, conseguiu o “ok” do governo. Com isso, até a produção e troca dos rótulos das cervejas, a venda deve começar em um mês e meio, estima ele. E será feita apenas pela internet, no site da Colorado, já que da leva da ex-Vintage, apresentada pela primeira vez em meados de 2009, na Brasil Brau, restaram poucas garrafas. O preço ainda não foi definido.

O nome da cerveja mudou, mas o conceito, segundo a cervejaria, ainda guarda um pouco do “sofrimento” passado até a aprovação. Ithaca, ou Ítaca, é o nome de uma ilha grega que teria sido a terra natal de Ulisses. Além de ter sido dominada por séculos por diferentes povos, ainda acabou ocupada pelas tropas do Eixo (Alemanha, Japão e Itália) na Segunda Guerra Mundial e, pouco tempo depois, foi destruída por um terremoto em 1953.

A longa espera pela cerveja teve ao menos um lado bom: provei há algumas semanas uma versão em garrafa da leva servida na Brasil Brau. À época, achei-a puxada demais para o álcool no sabor, o que a deixava um pouco desequilibrada. Com o tempo de maturação, porém, ela ficou mais “redonda”, embora ainda sinta falta, no ajuste fino, de notas mais licorosas, como as que possui, por exemplo, a Samuel Smith Imperial Stout. Mas, ainda assim, é uma boa cerveja. Embora, na opinião deste humilde blogueiro, a saída não tenha sido a ideal – num mundo perfeito, o termo Vintage seria compreendido pelas autoridades também como possível de ser utilizado para cervejas -, o que importa é que a Ithaca foi liberada e pode ser degustada pelos fãs da nobre bebida.

PS: Sempre com alguma carta na manga, o Marcelo fez alguns experimentos com a Índica, uma india pale ale que leva rapadura em sua composição. Primeiro, usou essência de lúpulo para “turbinar” aroma e sabor do ingrediente na cerveja – quem foi ao Paladar do Brasil em 2009 pôde constatar, em uma das palestras. Agora, fez um pequeno carregamento de barris da receita com pimentas que trouxe de viagem. Infelizmente, porém, o teste terá poucas e felizardas cobaias.

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