Paladar

Lugar de café ruim é no ralo

13 março 2013 | 23:00 por Patrícia Ferraz

Por Juliana Ganan
Especial para o Estado, de Nova York


Você entra na cafeteria, pede um expresso, o barista tira o café e, num gesto inesperado, joga o resultado pelo ralo. Temperamental? Não. Perfeccionista. E a fila da Stumptown, em NY, só cresce – gasta-se até 20 minutos ali à espera de um expresso. A regra da Stumptown – se o café não está impecável, não chega ao cliente – demonstra respeito ao cliente, sim, mas principalmente ao café, tratado com zelo da plantação à extração.


Stumptown, original de Portland, Counter Culture, de Durham, na Carolina do Norte, e a Intelligentsia Coffee – que nasceu em Chicago e chega a Manhattan neste mês – lideram um movimento que toma corpo no mercado americano e que envolve todo o ciclo do café. Só lidam com grãos de fazendas específicas. Visitam as fazendas, selecionam lotes, compram direto do produtor. E torram os grãos em pequena escala, o que permite o controle rigoroso.


Tanta dedicação tem preço. Em Nova York, achar uma xícara de expresso de qualidade por menos de US$ 3 já tarefa impossível. Mas há cada vez mais gente disposta a pagar caro pelo café de qualidade.


COUNTER CULTURE

FOTOS: Divulgação


O Everyman Espresso usa os grãos da Counter Culture – que não tem cafeteria própria – para fazer um dos melhores cappuccinos de Manhattan. Na unidade do Soho, a pedida é sentar na bancada e ficar papeando com os baristas sobre os novos grãos (há sempre novos blends para experimentar, cada um com uma história). Todas as bebidas, tirando o expresso (US$ 3,5), custam mais de US$ 4, mas a satisfação é garantida. Na 301 West Broadway, Soho. Tem uma unidade menor no East Village também (136 East 13th St).


STUMPTOWN



Fica no lobby do Ace Hotel. O mocha é feito com o famoso chocolate Mast Brothers – dos irmãos barbudos chocolateiros do Brooklyn. A Stumptown também é elogiada por seu café gelado, servido em uma garrafa de vidro que todo mundo leva para casa de tão linda. O blend usado para este expresso costuma ser o hairbender, da Stumptown, um blend doce e de acidez suave, fácil de beber. As bebidas à base de expresso custam em torno de US$ 4. O expresso custa US$ 3. Na 18 West 29th Street. Só aceita dinheiro.


INTELLIGENTSIA
Enquanto a filial nova-iorquina, que será em West Chelsea, não abre, dá para provar o café da Intelligentsia – rede sediada em Chicago que está em franca expansão, com planos de abrir também uma unidade em São Francisco – no Ground Support. Sugestão: peça um cortado (US$ 3,5). O destaque da Intelligentsia é o Black Cat Project, um projeto de busca pelo expresso perfeito: cafés de única origem, com perfis distintos. Vale provar também o blend da estação, que varia ao longo do ano. Na 399 West Broadway, Soho.


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