Paladar

Rotina de atleta

25 outubro 2012 | 18:33 por Patrícia Ferraz

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FOTO: Divulgação

Gracielle Rodrigues não gosta de dar entrevistas. Fala pouco, com voz baixa. Mas se anima para explicar qual é a receita que criou para ganhar o Campeonato Brasileiro de Baristas, ocorrido de 4 a 6 de outubro, em São Paulo. Na ocasião, também arrematou o primeiro lugar no Campeonato Brasileiro de Latte Art e a terceira posição no Coffee in Good Spirits (de drinques com álcool).

Apenas alguns poucos clientes do Lucca Cafés Especiais, no Batel, em Curitiba, onde dá expediente, se dão conta de que estão experimentando os expressos tirados pela melhor do Brasil. Hoje, ela divide o tempo na cafeteria com os treinos, que acontecem no laboratório da marca.

A rotina é de atleta: seis horas diárias à frente da máquina, tirando cafés de forma cronometrada, tal qual as regras do torneio oficial. A sequência, que deve ser executada em 15 minutos, prevê que o profissional sirva aos juízes quatro expressos, quatro cappuccinos e quatro drinques autorais. São 12 litros de leite e mais um quilo de café empenhados por dia na missão.

Aos 30 anos, Gracielle não é uma zebra no circuito. Participou de quatro disputas brasileiras de baristas e, além da vitória recente, abocanhou o quarto e o segundo lugares em duas das edições anteriores. A sul-mato-grossense de Sete Quedas agora se prepara para o primeiro grande desafio da sua agenda internacional: o mundial de latte art, que acontece em Seul, na Coreia do Sul, entre os dias 1 e 4 de novembro. Em 2013, de 23 a 26 de maio, ela ainda representa do Brasil no Campeonato Mundial de Baristas, em Melbourne, na Austrália.

Do primeiro expresso que tirou, diz não se lembrar. Começou como atendente do próprio Lucca, em 2006, e aprendeu um tanto por acaso, primeiro assistindo ao trabalho dos colegas no manejo do porta-filtro e depois sendo treinada pela própria equipe. Ainda quando atendia às mesas, começou a participar dos primeiros torneios regionais. A campeã falou com o De Grão em Grão.

Qual é o segredo para ganhar?
Treinar, treinar e treinar. Também escolher bem o café e contar uma história que cative os juízes. Escolhi um grão do Espírito Santo e fiz o drinque inspirada por uma viagem à China. Primeiro servi uma infusão de jasmim do imperador. Depois, entreguei uma mistura de expresso e creme de coco – um leite vaporizado com a fruta desidratada, que trouxe da China.

Por que a escolha de um café do Espírito Santo para competir? Que características ele tem?
O que escolhi, em particular, tem aroma floral. Ele é exótico e pouco conhecido. Fazia parte da inspiração da minha apresentação.

Já sabe que café usará no campeonato mundial de latte art?
No latte art somos convidados a usar o café e o leite dos patrocinadores. Somente escolhemos quais desenhos vamos executar. Ainda não posso revelar quais serão, mas prometo mandar uma foto depois do mundial.

E na sua casa, qual café e método de extração costuma usar?
Geralmente bebo cafés do Sul de Minas, feitos na moka, em uma máquina de expresso ou no coador de papel.

DICAS DA GRACIELLE PARA SABER SE VOCÊ ESTÁ DIANTE DE UM BOM BARISTA
1- Ao ser questionado sobre o café, ele deve saber informar de onde vêm os grãos e por que eles estão sendo usados.
2- Observe o expresso: verifique se a crema está lisa e se sua cor se assemelha a caramelo escuro ou avermelhado.
3- Em bebidas com leite, ele tem de estar bem vaporizado, sem bolhas.
4- O local onde são preparados os cafés deve estar bem cuidado. Espie, por exemplo, se o barista limpa a vareta da máquina ao vaporizar o leite e se mantém o bico do porta-filtro higienizado.

PARA ENCONTRAR A GRACIELLE
Lucca Cafés Especiais
Al. Presidente Taunay, 40, Batel, Curitiba
Tel.: (41) 3016-6675
Os horários da campeã: 2ª a 6ª, 8h/16h30; sáb., 9h/18h; dom. 12h/20h (folga às quartas-feiras)

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