Paladar

Sem férias para as xícaras

03 janeiro 2013 | 00:40 por Patrícia Ferraz

Por favor, não sinta saudade da sua cafeteria preferida no Brasil durante as férias. Ao contrário, aproveite o período de descanso e as viagens para ver (e experimentar) como se bebe café por aí. Para que sua jornada cafeeira seja menos amarga, buscamos a ajuda de três experts no assunto: Marco Suplicy, sócio-fundador da rede Suplicy Cafés Especiais, Danilo Lodi, barista, e Rodrigo da Cunha Lima Freire, advogado e assumido coffee geek. O trio apresenta um roteiro certeiro e entrega suas xícaras preferidas. Além deles, Luiz Horta, colunista de vinhos do Paladar, também traz suas indicações.

 

 

MARCO SUPLICY
O empresário lista seus endereços prediletos nos Estados Unidos e na Inglaterra. “Vale a seguinte ressalva: em Londres se vê a maior densidade de cafeterias do mundo”, diz. Nos EUA, além de Nova York, ele indica Seattle. “A cidade tem o apelido de ‘latteland’”.

 

Nova York Gimme Coffee – “Conheço a que fica na 228 Mott St, entre Prince e Spring. O croissant deles é divino!”
228 Mott St., Nolita.

 

Nova York Café Grumpy (foto) – “Fui na loja 224 West 20th St. O forte são os cafés, considero as comidinhas mais limitadas. Mas vale a visita”.
224 West 20th St., entre 7th and 8th Ave, Chelsea.

 

FOTOS: Divulgação

 

Nova York Jack’s – “O ponto alto é o café filtrado”.
138 West 10th St., West Village.

 

Nova York Irving Farm – “Na unidade da 71 Irving Place, são servidos ótimos waffles”.
71 Irving Place, Gramercy Park.

 

Seattle Starbucks – “Vale visitar a loja número 1, onde tudo começou, que é a do Pike’s Place Market”.
102 Pike St., Downtown.

 

Seattle Zoka (foto) – “É a pequena rede na qual eu trabalhei por duas semanas antes de abrir o Suplicy. Recomendo a loja de Greenlake e os paninis feitos por lá”.
2200 North 56th St., Greenlake.

 

 

Seattle Espresso Vivace – “A unidade que conheci fechou, mas a boa reputação da marca continua”.
532 Broadway Ave East.

 

Seattle Trabant – “O forte são as excelentes comidinhas”.
1309 NE 45th St., University District.

 

Seattle Café Javasti – “Tem crepes divinos para acompanhar as bebidas”.
8410 5th Ave NE.

 

Seattle  Seattle Coffee Works – “Vá pelo café coado preparado na hora”
107 Pike St.

 

Londres Bea’s of Bloomsbury – “Os cupcakes são uma loucura, de outro mundo mesmo! Fazem valer a visita”.
44 Theobalds Road, Bloomsbury.

 

Londres Monmouth (foto) – “É considerada a melhor. Você pode pedir qualquer café que deve sair satisfeito”.
27 Monmouth St., Covent Garden.

 

 

Londres The Espresso Room – “O ambiente é minúsculo, mas a visita compensa pelo excelente expresso ”.
31-35 Great Ormond St., Bloomsbury.

 

Londres Flat White – “É o típico endereço tem-que-ir, até para provar a bebida homônima, muito comum por lá: duas doses de expresso e pouquíssimo leite texturizado”.
17 Berwick St., Soho.

 

DANILO LODI
O barista lista seus preferidos na América do Sul, nos Estados Unidos e na Europa.

 

Lima Café Verde – “O dono trabalhava no Intelligentsia, em Chicago e L.A. Aqui, a dica é tomar é o café filtrado na Hario V60”.
Av. Santa Cruz, 1305, Miraflores.

 

Santiago Lucca Cafés Especiais – “O cappuccino é imbatível e a marca é brasileira, de Curitiba”.
Av. Andrés Bello, 2425, Providencia.

 

Nova York Ninth Street Espresso – “É uma excelente cafeteria que fica no Chelsea Market. Boa para tomar um expresso ou o
macchiato”.
75 9th Ave., Chelsea Market.

 

Nova York Culture Espresso – “Simplesmente o melhor cookie que já experimentei. Acompanha um bom cappuccino feito com café Intelligentsia”.
72 W. 38th St., Midtown West.

 

Nova York Variety Coffee – “O banana bread é de comer de joelhos. Melhor ainda se escoltado por um latte ou por um
cappuccino”.
368 Graham Ave., Brooklyn.

 

DublinThird Floor Espresso (foto) – “O proprietário ficou em terceiro lugar no Campeonato Mundial de Baristas. Sugiro pedir um chá ou um expresso, que pode ser preparado pelo próprio dono, sempre presente no balcão”.
32 Grand Canal St., Lower Dublin 2.

 

 

Paris Café Télescope – “Paris é uma cidade difícil para encontrar boas cafeterias, mas essa eu indico. Lá, a pedida é qualquer café filtrado para beber na companhia do bolo de chocolate”.
5 Rue Villedo 75001, Métro Bourse, Pyramides.

 

Berlim Bonanza Coffee Heroes – “É um lugar para se tomar café da manhã ou qualquer bebida feita com leite, de excelente qualidade”.
Oderberger St. 35, Prenzlauer Berg.

 

LondresNotes Coffee Food and Wine (foto) – “O dono desse endereço é o brasileiro Fábio Ferreira. Legal para pedir um croissant de chocolate acompanhado pelo café que o barista indicar”.
31 St Martin’s Lane WC2N 4ER, Trafalgar Square.

 

 

CopenhagueCoffee Collective – “Está entre as melhores cafeterias da minha vida. Indico qualquer item do menu, principalmente os cafés africanos ou da América Central”.
Godthåbsvej 34B, 2000 Frederiksberg.

 

RODRIGO DA CUNHA LIMA
Advogado e professor de Direito relaciona endereços para comprar grãos e beber cafezinhos no Brasil e na Europa. E entrega seu próximo destino: o Caffè Sant’Eustachio, de Roma. “Tenho ótimas informações dele. Provei um café da casa no Coffee Lab. A torra era sensacional”.

 

LondresSquare Mile Coffee Roasters – “Vale muito a pena comprar grãos, especialmente os cafés da Etiópia, do Quênia, da Costa Rica e de El Salvador. Eles fornecem para muitas cafeterias da cidade”.
8 Pritchards Road, Bethnal Green.

 

LondresNotes Coffee Food and Wine  – “Trabalha com cafés da Square Mile e possui uma maravilhosa máquina Strada, da La Marzocco, além de ter uma carta com diferentes métodos de extração.”
31 St Martin’s Lane WC2N 4ER, Trafalgar Square.

 

NO BRASIL

 

NatalGenot Cafés Especiais (foto) – “A casa de Paulo Guillén fica dentro de uma livraria Saraiva e serve o melhor expresso do Brasil, com grão da Fazenda Serra Negra, de Patrocínio (MG), e torra da Nuance Cafés. Usa uma máquina La Marzocco. Recomendo também o cappuccino”.

 

 

GoiâniaAteliê do Grão – “Casa de Rodrigo Ramos, é pequena e tem como carro-chefe o expresso. Traz uma variedade de grãos (Chapadão de Ferro, Santa Margarida – Martins Café) e possui uma ótima máquina Slayer.”

 

SalvadorFeito a Grão – “Trabalha muito bem com o Café Orfeu”.

 

LUIZ HORTA
Autor do Glupt, coluna de vinhos do ‘Paladar’, ele também bebe café

Ilustração: Daniel Kondo

 

Eu já tive expresso mania. A razão era uma mistura de preguiça, burrice e a baixa qualidade do café vendido no Brasil. Expresso era mais fácil de fazer, daí a preguiça. A burrice era pensar que tinha mais cafeína que os demais, e uma das razões para amar café (umas das 30 que posso listar) é a de ingerir muita cafeína (tomo darjeeling, matcha e chimarrão quase todo dia também, simultaneamente) e a porcaria que era o pó é autoexplicativa. Então redescobri, num lugar chamado The Barn, em Berlim, o mundo encantado do coador. The Barn foi para mim como o Mundo de Oz, tem todas as belezas de design (Hario, Chemex) e inúmeros tipos de cafés. Estava só começando.

 

The Barn. FOTO: Luiz Horta/Arquivo pessoal

 

Em Londres, onde a onda do café lento, coado, está mais avançada (o principal blend vendido no The Barn vem do Square Mile, de Londres), a paixão foi pelo Work Shop Coffee, quase em frente ao tradicional restaurante de Fergus Henderson. E os hambúrgueres lá também são incríveis, mas isto é outra coisa.

 

Paris, apesar de ser a capital da gastronomia (sim, pessoal, desculpe aí, vocês são bacanas, tem seus ferrans e kellers, mas nenhum lugar é como Paris para comer e beber) só tinha cafés horríveis, a tradição da máquina suja, do pó velho, da água de pano de prato amarga. Mas acabou, agora tem o La Caféothèque, atrás da prefeitura, no Quai do Hotel de Ville, com a insuperável marca de 30 grãos de países diferentes em oferta, torrrefados semanalmente em quantidades mínimas (gerido por um americano de Seattle, claro). Lá conheci os três terroirs da Etiópia, só para citar o que mais me embasbacou na simpática esquina de frente para o Sena. Carreguei o que pude, comprei uns adereços extras aqui, venho usando os grãos do Atelier do Grão de Goiânia (quando consigo comprá-los) ou Martins, Coffee Lab e Pessegueiro.

 

La Cafèothéque. FOTO: Luiz Horta/Arquivo pessoal

 

Nomeei a doença de slowffee, o café feito ritualmente, devagar, que precisa de um tempo para oxigenar o liquido e abrir. Quem quiser continuar jogando uma cápsula de metal num aparato futurista e apertando um botão, bom proveito, amo vocês do mesmo jeito. Mas aqui em casa, é lento, lentíssimo e tem sabor.

 

The Barn. Auguststrasse 58, Prenzlauerberg, Berlim.

 

Work Shop Coffee. 75 Wigmore St., W1U 1QD, Marylebone, Londres.

 

La Cafèothéque. 52, rue de l’Hôtel-de-Ville 75004, 4ème Arrondissement, Paris.

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