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Histórias e experiências sobre o café

Cinco grandes questões sobre o preparo do seu café

Qual a temperatura ideal da água? Dá para reaproveitar a borra? Tire suas dúvidas e comece o ano com foco, inspiração e boa dose de cafeína

09 de janeiro de 2020 | 22h57 por Ensei Neto

Começar o ano com uma boa dose de cafeína é fundamental para ter foco e inspiração. Com tantas informações pipocando por aí, preparei este pequeno roteiro com as cinco perguntas mais frequentes sobre o preparo do café. A ideia é ajudar nos seus rituais cafeinados.

1- Existe uma temperatura ideal da água para preparar o café?

A temperatura da água para o preparo de um café é importante apenas para definir o quão rápido você quer que ele fique pronto. Quanto mais fria, distante do ponto de fervura, mais tempo é necessário para que os sabores contidos no grão torrado e moído possam ser extraídos. Se a temperatura é mais próxima ao ponto de borbulhas ferventes, tudo será muito mais rápido.

Um cold brew, por exemplo, cuja extração é feita com água fria,  pode levar até 24 horas para ficar pronto.

Se você gosta de fazer experiências, prepare o mesmo café com águas em diferentes temperaturas e depois comente aqui.

FOTO: Fernando Sciarra

 

2 – Posso reutilizar o pó de café?

O pó de café é como o palito de fósforo: só se usa uma vez. Imagine que tudo o que existe de bom, em termos de aromas e sabores, está contido em cada partícula do pó de café e que a água faz o nobre serviço de transportar esses componentes para a xícara.

Depois disso, o que sobra na borra é somente um pouco de cafeína e celulose. Como o grão torrado é bastante poroso, quando seco, mantém uma excelente capacidade de reter líquidos, o que torna a chamada borra do café um excelente substrato para vasos e jardins. E o resíduo da família da cafeína ajuda, aliás, no controle de insetos, como efeito colateral.

3- Como conservar o coador de pano?

Muita gente gosta de manter hábitos alguns tradicionais, como preparar o clássico cafezinho brasileiro no coador de pano.

A trama mais aberta do tecido em algodão, que é pequena o suficiente para reter boa parte do pó, permite que os óleos essenciais do café, dissolvidos na água quente, passem para o bule. É justamente essa mistura, além da maior concentração de pó em relação à água utilizada, que caracteriza e esse café potente, parrudo e com muita memória afetiva gravada nas pessoas.

Assim que passar o café, lave o coador em água corrente sem usar sabão ou detergente. Em seguida, escalde com água bem quente e ponha para secar. Esse hábito certamente manterá essa peça sempre boa para o uso.

 

4 – Posso usar um filtro de papel diferente do indicado para o método?

Cada sistema ou método de extração de café filtrado tem seus próprios utensílios. Se você observar, os porta filtros Melitta, Hario, Chemex e Kalita têm diferentes geometrias, que pedem filtros específicos, com desenho apropriado.

O encaixe do filtro com o porta filtro tem que ser justo como uma boa roupa: não pode ficar sobrando, nem parecendo que se está usando um número menor. Tudo isso para que a extração seja a mais eficiente possível dentro de suas características. Quando o filtro é menor, corre-se o risco de apenas um lado do papel manter contato com a parede do recipiente, piorando a qualidade da extração.

Você até pode usar um filtro diferente, mas fique atento ao processo, pois ele não estará em sua melhor formação. Lembre-se, se algo foi feito para trabalhar em conjunto com outro, tenha certeza de que não foi projetado por acaso.

5- O café de uma cafeteira italiana é igual ao café expresso?

A cafeteira italiana, também conhecida por moka, cuja marca mais conhecida é a Bialetti (detentora do projeto original), foi patenteada por Luigi de Ponti em 1933.

Seu projeto é genial e funciona exatamente como uma máquina de expresso invertida: a fonte de calor  fica em sua parte baixa (recipiente que vai ao fogo); assim que a água fica suficientemente quente e pressurizada, ela sobe para o segundo nível, passando pelo pó de café compactado e, fazendo, assim, a extração. O líquido, finalmente, sobe por um tubo central até preencher o reservatório superior.

Como a cafeteira italiana é toda confeccionada em metal, é alto o risco de ocorrer uma rápida evaporação das primeiras gotas, conferindo ao café um gosto amargo de queimado. O segredo para que isso não aconteça é adicionar um fio de água fria no recipiente superior, um pouco antes do café começar a subir pelo tubo.

Muita gente considera o café da cafeteira italiana parecido com o expresso, já que ambos ficam bastante intensos e concentrados. É justo, porém, admitir que cada método tem sua identidade.

Meu conselho final: faça da hora do café um momento descontração, onde a principal regra é ser feliz em cada gole.

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