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Histórias e experiências sobre o café

A volta do Cafezinho

Também conhecido como café forte, passado em filtro de pano, é um método de preparo tipicamente brasileiro

22 de julho de 2020 | 15h23 por Ensei Neto

Muitas pessoas têm perguntado sobre o Cafezinho, como parte do resgate afetivo que o maior tempo em casa tem despertado. Esse é um método de preparo bem brasileiro, daí merecer inicial com maiúscula.

A moagem é geralmente média-fina a fina, mais grossa do que um talco ou farinha de trigo, mais fina que o açúcar cristal.

Historicamente, muitas pessoas costumavam moer em casa com um típico moedor de alavanca ou de rosca, que era também usado para moer pão para fazer a chamada “farinha de rosca” para os bons empanados e um doméstico bife à milanesa, e amendoim torrado para polvilhar bolos e pavês (eita, essa é uma sobremesa das antigas!).

Moinho de rosca. Foto: Ensei Neto/Arquivo pessoal

Uma certeza você tem: quando mais fina a moagem, mais eficiente ou fácil será a extração dos componentes do café, seja o açúcar que naturalmente está no grão ou a cafeína.

Canecão com água no fogão. (Ah, sim, tem marca de café que leva esse nome, canecão!).
Água a ferver. Daí, é pó na água, que mergulha e se mistura em revoluções quase sem fim…

Próximo passo: passar num filtro de pano, clássico algodão aflanelado fixo num suporte alto, pois quase sempre é um bule alto ou garrafa térmica que recebe o “café forte”.

“Pode usar a colher para ajudar a passar o café?”
Claro que pode, cada pessoa tem o seu jeito particular ou toque especial ao fazer o café!

Só para recordar: forte ou fraco, usando nosso dicionário brasileiro do café, é sinal de ser mais ou menos concentrado, isto é, tem mais ou menos pó ao ser preparado. É gosto pessoal, por isso, todos estão certos.

O Cafezinho é preparado dessa forma e é sempre muito intenso. Afinal, é concentração que beira os 10% m/v (100g de pó ou 5 colheres de sopa para se preparar 1 litro de café). É também, esse o motivo porque é servido em xícaras menores.

Assim como fazer o primeiro pão e aprender a cozinhar diferentes pratos, muitas pessoas começaram a resgatar receitas e práticas de antigamente, que estavam escondidas na memória. Sim, em casa o repertório afetivo foi definitivamente trabalhado.

Coador individual. Foto: divulgação.

Algumas empresas se especializaram neste método, o filtrado em filtro de pano, oferecendo utensílio de uso individual, como a www.cafecomartecoadores.com.br.

É importante manter a memória da cultura do país por meio dos costumes mais arraigados na culinária. Veja que diversos nomes que nos são muito comuns no dia a dia surgiram como parte da história e do preparo de um clássico Cafezinho.

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