Paladar

Um café para dividir

Histórias e experiências sobre o café

As novas prateleiras de café

Como evolução do mercado, surgem lojas especializadas na venda de grãos torrados e utensílios de café.

29 de outubro de 2019 | 09h48 por Ensei Neto

A primeira cafeteria a apresentar as diferentes origens brasileiras foi a antiga Café do Ponto, quando ainda pertencia a sócios brasileiros, ainda nos anos 1990. Foi um esforço do Sr. Américo Sato, que se destacava por ser visionário quando o assunto era café. As lojas mantinham um mostruário com grandes recipientes de vidro com um aspecto didático muito forte, pois faziam descrição de cada região, que naquela época eram as mais conhecidas o Sul de Minas, a Mogiana, a Alta Paulista e a novata Cerrado Mineiro, bem como os primeiros comentários sobre qualidade da bebida.

Ainda antes da virada para os anos 2.000, no Rio de Janeiro, no Centro, instalou-se o Armazém do Café, que, além de oferecer cafés de diferentes regiões, fazia  a torra dos grãos, o que atraía as pessoas pelo aroma que percorria a rua que fica no Leblon. Levar em grãos, para poucos que tinham os raros moedores, e moídos na hora era uma experiência muito boa!

As cafeterias da chamada 3ª Onda, que no Brasil tem a Suplicy como referência, pois foi a primeira a ter um ambiente que se destacava pelo design moderno, além de ter sua primeira brigada treinada por uma das mais importantes baristas do mundo, a norte americana Sherry Johns, do Oregon, passou a apresentar cafés da fazenda da família do Marco Suplicy junto de outras escolhidas por ele.

Com o maior engajamento dos cafeicultores na produção de cafés de alta qualidade ou especialidade, tornou-se maior a chance do consumidor ter acesso a esse produtos por meio das cafeterias.
O problema todo é que as cafeterias têm uma limitação quanto à diversidade de origens e produtores para oferecer, pois geralmente são estabelecimentos menores. Outro ponto é o fato de que as seleção dos cafés de cada cafeteria é feita a partir dos tipos de serviços que se pretende oferecer aos consumidores como o espresso ou o filtrado, por exemplo.

Os supermercados e suas grandes redes, sempre preferem trabalhar com empresas que possam oferecer grandes volumes a preços competitivos, pois, modernamente, eles simplesmente locam o espaço nas gôndolas para a exposição de cada produto. Por isso, pequenas empresas, mesmo com produtos de excelente qualidade, acabam não figurando nesses locais, dando espaço apenas às grandes empresas e seus produtos de grande escala.

TEM Café Torrado e Moído. Foto: Divulgação.

A primeira iniciativa no Brasil de se ter um local exclusivamente para venda de café, torrado e também para moagem na hora, e também de utensílios para preparar o café é o da TEM Café Torrado e Moído, do Yuri Pinotti, que fica no bairro de Pinheiros. Sua proposta é a de oferecer cafés torrados pelos próprios produtores, de diferentes localidades, dando uma visão muito interessante de como a cafeicultura e o mercado do café estão caminhando.
Para facilitar a escolha por parte dos clientes, degustações são feitas por diferentes métodos como filtrado ou prensa francesa, havendo orientação de simpáticas e bem treinadas baristas.

Nesta mesma esteira, porém com proporção gigantesca, a Zodio, que pertence ao grupo Leroy Merlin, na Marginal Tietê,  possui uma seção para os coffee lovers de plantão, onde estão expostos utensílios e máquinas de espresso, cafeteiras elétricas e moedores, juntamente com algumas marcas de torrefações.

A diversidade de opções ajuda na construção do espírito crítico do consumidor, num processo educativo constante.
Comparar é a melhor ferramenta para poder escolher o que é melhor para si numa decisão madura.

A TEM fica na Rua Artur de Azevedo, 517, Pinheiros, e a Zodio, na Avenida Presidente Castelo Branco, 6061, Parque da Lapa.

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