Paladar

Um café para dividir

Histórias e experiências sobre o café

Café com baião

Conheça um pouco mais da história e curiosidades do café no Sertão Nordestino.

26 de março de 2021 | 17h49 por Ensei Neto

Ana Rita Suassuna, prima primeira do aclamado escritor Ariano Suassuna, passou boa parte de sua vida no chamado Sertão ou Agreste Nordestino, principalmente no interior da Paraíba.
Essa vivência com a cultura sertaneja nordestina, as pessoas com quem conviveu e seu inquieto espírito curioso, foi sua base para escrever livros sobre a culinária da região.
Sua obra Gastronomia Sertaneja, é escrita esperta e saborosa com histórias e receitas da região.

Entre outros ingredientes e preparos, o café tem o seu lugar especial.
Apesar de pouquíssimas regiões no nordeste brasileiro manterem produção de café, apesar de foi por onde a cafeicultura se iniciou ainda no Século XVIII, devido ao clima ríspido e, por vezes, marcado por frequentes estiagens, as pessoas torravam o seu próprio café num sistema similar ao originalmente feito no Iêmen e Etiópia.

Torrar “no caco” nada mais é do que ter um recipiente de barro em forma de prato sobre um fogareiro a lenha. Com uma colher de madeira ou algo parecido, os grãos são mexidos calmamente e de forma contínua até ganharem cores de marrom junto do pipocar da chamada “pirólise”, que é quando se ouve o barulho que lembra o espocar de fogos de artifício, chamado de “pop”, “crack” ou “pipoco”, devido ao processo de expansão dos grãos.
Como o café era escasso e precioso, juntava-se a ele, durante a torra, sementes de arbustos nativos da região para “dar mais volume”.
Depois de cada lote torrado, o primeiro café passado recebe o divertido nome de “Café Donzelo”, pronto para ser consumido e desbravado…

Ana Rita Suassuna. Foto: Ensei Neto/Arquivo Pessoal.

Ana Rita coletou esta canção interpretada pelo Rei do Baião, Luiz Gonzaga, que fala diretamente sobre o café. Veja que nesses versos, a qualidade do café é exaltada e que não se deve abrir mão…

NO MEU TEMPO

Ninguém fazia fé
Café
Hoje em dia
Não chega pra quem qué
Café.

 Antigamente
O café num dava preço
Isso era no começo
No Brasil do Imperador

Mas hoje em dia
Tá na moeda, é o nosso fraco
Inté mesmo o puxa-saco
Hoje é puxa cuadô

Vejam vocês
Quase todo mundo diz
Que o Brasil só é feliz
Se café tive valô

No meu tempo…
Na minha terra
Café fraco é chafé
Muito fraco é aguafé
Café ruim
Não tem patente.

 Marca três efe
Fraco, frio, ferventado
Quem toma desse danado
Pode inté fica doente.

 Eu pago caro
Me censure quem quis é
Mas café é como muié
Só vai doce, forte e quente.

 

MAIS CAFEÍNA

FILTRO BEST BREW
Para os coffee lovers de plantão, que usam com frequência o método Hario V60, há hoje alternativa de filtros de papel do tamanho 02 pela The Best Brew.
Em nossos testes saiu-se bem, apesar de ter densidade menor que a original e sua trama permitir um fluxo de café filtrado maior. Apesar da embalagem toda escrita em inglês e japonês, o produto é brasileiro.
Serviço: Pedidos (11)989 877 002.

The Best Brew. Foto: Ensei Neto/Arquivo Pessoal.

NESPRESSO & RECICLAGEM
A Nespresso vem investindo fortemente em sistemas de coleta de suas cápsulas para fins de reciclagem, mantendo em São Paulo uma unidade de processamento do alumínio.
Como continuidade dos esforços para coleta das cápsulas, em conceito denominado Logística Reversa, firmou convênio com os Correios para que as agências sejam também um ponto de coleta, ganhando excepcional capilaridade. Atualmente são 200 pontos de coleta e a Nespresso pretende atingir 30% de reciclagem efetiva até 2021.
Serviço: www.nespresso.com

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