Paladar

Um café para dividir

Histórias e experiências sobre o café

Café e covid: Ano 1.

Entenda os efeitos da pandemia no mercado de café.

02 de março de 2021 | 08h46 por Ensei Neto

No último dia 26 de fevereiro, completou-se um ano do registro do primeiro caso de covid19 no Brasil.
A pandemia virou literalmente o mundo do avesso, criando clima típico dos filmes apocalípticos como Doze Macacos, com Bruce Willis, no qual um inimigo invisível, no caso premonitoriamente um vírus, quase dizima a humanidade.

Até a liberação das primeiras doses das vacinas, as formas de proteção ao coronavírus basearam-se nos pilares higienização frequente, uso de máscaras e o distanciamento social. A preocupação maior das autoridades médicas em todo o mundo tem sido o de se evitar o colapso do sistema hospitalar, razão de se impor o distanciamento social para diminuir aglomerações e a contaminação das pessoas.

O mercado de café sofreu nesse primeiro ano de pandemia grandes mudanças, do campo à forma de consumo, num processo tão rápido quanto vertiginoso como uma viagem em montanha russa.
Segue um pequeno balanço:

O consumo do café, apesar da fase #fiqueemcasa, em que estabelecimentos como restaurantes, bares e cafeterias permaneceram fechados, surpreendentemente permaneceu nos mesmos níveis. O que ocorreu foi a transferência do consumo fora de casa para dentro de casa, ou seja, cada residência ganhou o seu “cantinho” do café.

As restrições para circulação das pessoas fez com que os serviços de entrega ganhassem relevância, representados por uma legião de motoboys e bikeboys  que passaram a fazer a ponte entre as cafeterias e seus consumidores. O delivery começou a experimentar seu momento de fama, pois as cafeterias tiveram de se adaptar para vender seus pacotes de café por meio de websites e aplicativos de comunicação como o whatsapp.

Para muitas cafeterias esse novo modelo de negócio se mostrou inviável, uma vez que o tíquete médio se mantinha suficientemente alto com a inclusão de pratos rápidos e lanches como acompanhamento dos cafés e cappuccinos.
O primeiro efeito sentido foi a diminuição de postos para os baristas, uma vez que o serviço de salão ficou temporariamente suspenso, e, também, porque o item mais importante das vendas passou a ser o café torrado em grãos.
Como efeito colateral, observou-se a explosão de vendas de utensílios para preparo de café. Os websites que mantém oferta ampla de moinhos, cafeteiras, canecas e todo o tipo de utensílio para o café tiveram verdadeira explosão de vendas.

Definitivamente, cada residência passou a ter sua cafeteria!

As cafeterias, assim como todos os estabelecimentos comerciais,  se obrigaram a atender os protocolos de prevenção do covid19 para continuar suas atividades, abrindo oportunidade para um novo modelo, que é absolutamente enxuto em sua equipe de atendimento e minimalista em espaço e serviços.
A receita é certeira: cardápio só com o essencial, café “fácil de beber” e atendimento simpático, além de preços justos com pagamento via aplicativo.
São as minicafeterias, que têm na franquia The Coffee o seu ícone, seguida pela Mais1Café e GoCoffee, coincidentemente todas de Curitiba.

Por outro lado, o segmento de luxo também experimenta um momento excepcional, pois com as restrições de viagens ao exterior, consumir no Brasil passou a ser o destino.
Numa inesperada reviravolta, shopping centers muito sofisticados começaram a surgir em São Paulo, com arquitetura que privilegia áreas abertas e bem ventiladas. Acompanhando este movimento, a rede Il Barista, da Gelma Franco, inaugurou uma unidade no CJ Shops, anexo ao Hotel Fasano, compartilhando ares com grifes como Gucci.

Il Barista Cafés Especiais, CJ Shops. Foto: Divulgação.

No segmento da torrefação, também o movimento tem sido intenso.
As grandes indústrias passaram por valioso aprendizado para, num movimento contrário ao que faziam, conviver com os consumidores em suas residências. Utilizar mídias sociais passou a ser o novo canal de comunicação, contando com influenciadores para oferecer novos produtos como cafés especiais, utensílios e até experiências de culinária.
Este é um movimento muito saudável, pois torna acessível excelentes cafés, fazendo o mercado crescer. Como se aprende em economia, mercado bom é mercado grande.

O consumo de café no mundo deve crescer neste 2021, já sinalizado pela valorização dos grãos vendidos pelos cafeicultores. Oferta menor, preços maiores.
Os produtores têm feito sua parte, aperfeiçoando os processos de produção e, assim, alcançando ganhos de qualidade. Apesar do recorde de exportação de café brasileiro em 2020, muito dos excelentes cafés permaneceram por aqui, garantindo boas experiências aos consumidores brasileiros.

Nunca se lançou tantas novas marcas de café no Brasil como em 2020, tanto por torrefações tradicionais quanto às que debutaram, muitas torradas na própria fazenda produtora.

É sinal de que, apesar da pandemia, o mercado do café seguirá vigoroso.

Serviço:

The Coffee: www.thecoffee.jp .

Mais 1 Café: www.mais1cafe.com.br

GoCoffee: www.gocoffee.com.br

Il Barista Cafés Especiais: CJ Shops, Rua Haddock Lobo, 1626, Jardins. www.ilbarista.com.br

 

 

 

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