Paladar

Um café para dividir

Histórias e experiências sobre o café

Café em tempos de pandemia

Saiba os cuidados ao se consumir ou degustar café em tempos de pandemia.

13 de março de 2020 | 11h14 por Ensei Neto

Raul Seixas, um dos grandes roqueiros tupiniquins, tem um icônico álbum chamado “O dia em que a Terra parou” que fala sobre um sonho em que todas as pessoas ficaram em casa, muito próximo do que o mundo hoje está passando com o Covid19 e sua pandemia declarada.

A epidemia do coronavirus se alastrou com rapidez surpreendente, muito em razão das facilidades de deslocamento que as pessoas têm hoje, alcançando em pouquíssimo tempo a condição de pandemia, que é quando o mundo todo está sob esse risco.
As pessoas mais vulneráveis são aquelas que têm maior propensão a problemas das vias respiratórias, principalmente o pulmão. Por isso, pessoas idosas têm sido as maiores vítimas.

Falar em vias respiratórias significa nariz e boca, que são fundamentais, por exemplo, para se apreciar um bom café.
O olfato funciona utilizando-se da umidade do ar para levar até os sensores localizados internamente ao nariz, logo abaixo dos olhos, as substâncias que são percebidas e identificadas, traduzindo-se em sensações agradáveis e outras nem tanto.
Já o paladar nos obriga a colocar na boca algo para se mastigar ou para beber, antes da ingestão, acionando as papilas, todas as paredes da boca, que transmitem a percepção delicada e aveludada ou áspera e piniquenta de uma bebida.
Portanto, para os profissionais do café esta pandemia será um grande desafio, pois são justamente seus instrumentos de trabalho os alvos principais do vírus.

Sessão de cupping. Foto: Ensei Neto/Arquivo Pessoal.

Para o cupping ou degustação técnica, como os profissionais fazem para avaliar a qualidade sensorial de uma bebida, sugestões começaram a ser divulgadas para se evitar a possibilidade de propagação do vírus por contaminação de utensílios. Os degustadores devem ter sua própria cuspideira, como já é feito em diversos locais, além de ter uma xícara para colocar o café a ser avaliado.
O trabalho será maior e, logo, as sessões de avaliação mais demoradas, porém isso faz parte do dia a dia desses profissionais.

No caso de degustações públicas, como muitas cafeterias vêm promovendo, o cuidado deve ser ainda maior, pois o número de pessoas envolvidas é grande. Já comentei sobre alguns protocolos de higiene básica que se deve ter numa degustação pública, o que deve ser reforçado neste momento.
Não compartilhe utensílios, pois as colheres são em aço inox em sua maioria e as xícaras em vidro ou porcelana, e, por isso, é ponto que merece atenção especial porque é muito comum ocorrer o uso em comum de colheres ou cuspideiras entre pessoas que estão fazendo a avaliação.

Se você estiver com algum sintoma de gripe como tosse ou leve tremor devido a febre, evite participar desse tipo de atividade. É o caso de se resguardar a esse tipo de evento até que se tenha um mínimo de controle sobre a propagação do coronavirus.

Algumas cafeterias também estão se preparando para essa nova situação, muitas utilizando materiais descartáveis em seus serviços, além de, em sinal de respeito ao cliente, fazerem seus baristas utilizar máscaras para evitar a dispersão de gotículas pessoais no ar, como está sendo na Ásia e Europa.
Daí vem uma recomendação muito importante: descarte o que você utilizou corretamente em lixeiras, ajudando a evitar que eventual contaminação do vírus se propague.

Observe que basta seguir as regras básicas de higiene e respeito às outras pessoas que não só o covid19, mas qualquer outra doença transmissível pelo ar e compartilhamento de utensílios.
Tenha precaução e responsabilidade, que como uma boa canja de galinha ou, melhor ainda, um bom café, não faz mal a ninguém!

 

 

 

Tags:

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Ficou com água na boca?