Paladar

Um café para dividir

Histórias e experiências sobre o café

Os cafés brasileiros fazem parte de blends do mundo todo

Vale a pena experimentar como grandes torrefações de outros países tratam os nossos grãos viajantes tão especiais

20 de agosto de 2019 | 17h38 por Ensei Neto

O Brasil é o maior produtor de café do mundo. Com isso, praticamente todos os países consumidores utilizam nossas sementes-maravilha.

Os grãos saem crus daqui, são torrados no exterior e retornam para cá (mas, para entrar no Brasil, só café torrad0 – saiba mais abaixo).

Nossos grãos são parte majoritária em diversos blends de torrefações internacionais. E elas estão fincando bandeira por aqui – de olho no nosso crescente mercado consumidor de café (numa discreta diferença com o mercado norte-americano, que ainda reina como o maior).

Grãos em torra clara, média e escura. FOTO: Hélvio Romero/Estadão

 

As primeiras torrefações europeias que trouxeram seus cafés torrados ao Brasil foram as italianas, como a Lavazza e a Illy.

Esta última sempre destacou os grãos brasileiros em seus blends. Criou até um concurso de qualidade que se tornou referência entre os nossos cafeicultores. Hoje, a Illy possui loja nos Jardins, onde apresenta seu café em diversas versões. O blend Illy era acondicionado nas famosas latas fechadas hermeticamente, que iam diretamente aos moinhos, no seu início. Depois, vieram o sachê e, por último, uma cápsula própria.

A Nespresso, com suas cápsulas, também mantém blends com grãos brasileiros. O Dulsão, que tinha como base a variedade Bourbon, foi icônico.

Mais recentemente, a gigante Starbucks resolveu abrigar em sua linha um café brasileiro com origem identificada – no caso, Minas Gerais, o estado responsável por mais de 50% da produção de arábicas do País. Curiosamente, cafés brasileiros sempre foram parte importante dos blends da Starbucks, e seus dois primeiros e grandes fornecedores foram fazendas localizadas em Minas Gerais, uma no Cerrado Mineiro e outra no Sul de Minas.

Blend da Starbucks com café mineiro. FOTO: Ensei Neto/Arquivo Pessoal

 

Assim como os outros, são grãos que saem do nosso País, são torrados fora e retornam. São vendidos crus. Mas, por aqui, só se compra cafés importados já torrados.

Isso se dá por conta das barreiras sanitárias impostas por países produtores de artigos agropecuários, que querem se proteger de doenças e pragas externas. (Pode reparar quando viajar para fora: o formulário da alfândega sempre pergunta se você está trazendo consigo algum artigo agropecuário in natura ou não processado. Se a fiscalização pegar, o produto será confiscado.)

Assim, grãos crus de café não entram em praticamente nenhum país produtor – o que inclui o Brasil.

Voltando à xícara… Vale a pena experimentar esses blends internacionais para saber como grandes torrefações de outros países tratam os nossos grãos tão especiais. E comparar com o que pode ser encontrado nas boas cafeterias por aqui…

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