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Competições do mundo do café

Conheça as principais competições do mundo café que acontecem nesta semana.

20 de novembro de 2020 | 17h28 por Ensei Neto

Competir, em diversos aspectos, é uma forma de que as pessoas podem aperfeiçoar suas habilidades. É claro que eu me refiro a uma competição saudável, ética e na qual todos têm respeito às regras e aos competidores.
É, de certo, a mais antiga forma de se fazer uma avaliação comparativa entre pessoas e até empresas, rito hoje conhecido pela palavra inglesa “benchmarking”. Saber como se encontra entre os pares de mesma atividade é sempre bom para que possamos nos aprimorar onde ficamos aquém da concorrência.

Mestre de Torra. Foto: Ensei Neto/Arquivo Pessoal.

Esta semana está sendo marcada pela realização de diversas competições do mundo do café, envolvendo pessoas de toda a cadeia de produção.

O ano-safra do café no Brasil inicia-se em 01 de outubro e vai até o dia 30 de setembro do ano seguinte, numa referência ao ano agrícola, cujo calendário inicia-se na primavera. Com o final da safra, muitos produtores preparam aqueles que são seus melhores lotes de café para enviar às diferentes competições de produtores, desde as regionais até as de abrangência nacional.

Como registro histórico, é importante mencionar que o primeiro concurso de qualidade de café do Brasil foi instituído pela torrefação italiana illy, na época capitaneada pelo lendário Dr. Ernesto Illy. Ele, um químico apaixonado pelo café desde a infância, na grave crise do início da década de 1990, como estímulo aos cafeicultores brasileiros para que mantivessem foco na produção de alta qualidade, criou uma premiação que se tornou referência no mercado. Ao combinar um minucioso trabalho de relacionamento com cada cafeicultor fornecedor, Dr. Illy criou também o primeiro programa “Fair Trade” de café, ou seja, um programa de valorização do produto adquirido por meio de um valor muito acima do praticado pelo mercado, e, ao mesmo tempo, de “Direct Trade”, que é o de compra direta do produtor.

Em 1999, ainda de forma experimental, o Brasil realizou a primeira competição de cafés que viria se tornar a maior mundialmente, o Cup of Excellence, cujos lotes vencedores são arrematados por meio de um leilão, alcançando valores muito expressivos.

Coffee of the Year. Foto: Divulgação.

Mais recentemente, durante a Semana Internacional do Café, realizada em Belo Horizonte e que tem o Governo de Minas Gerais como principal apoiador, foi dado início a uma competição que é realizada pela SCA – Specialty Coffee Association desde os tempos que era SCAA, voltada para a escolha de um lote de café por meio de votação popular: é o Coffee of the Year ou Café do Ano.
Neste ano, em razão das restrições impostas pelo covid19, os organizadores distribuíram os cafés em diferentes cafeterias pelo Brasil, nas quais todas as pessoas podem apreciar os diferentes lotes de café e votar em seu favorito.

Finalmente, uma competição voltada para os mestres de torra, o Desafio de Torrefação 2020, teve sua final em Belo Horizonte, na sede da indústria de Torrefadores Atilla.
Cada competidor tem de torrar um blend de sua criação a partir de 4 lotes de café produzidos por 4 diferentes fazendas, além de um lote de uma única fazenda à sua escolha. Para fins de avaliação, cada lote é extraído como café expresso e segue critérios da In Café Veritas e da Associação Italiana de Degustadores.
Sua organização no Brasil é feita pelo Vivek Sharma e Priscilla Soares com envolvimento de um enorme grupo de profissionais como baristas, degustadores e mestres de torra.

Desafio de Torra 2020. Foto: Divulgação

Mais do que ter um vencedor, o que importa nessas competições é o fato de que a troca de experiências entre os profissionais é sempre enriquecedora e tem como resultado uma melhora nos serviços e produtos por consequência.

 

 

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