Paladar

Um café para dividir

Histórias e experiências sobre o café

Mulheres na cafeicultura

Conheça a história de quatro mulheres que têm transformado o mercado do café brasileiro, do cultivo aos métodos de preparo

06 de março de 2020 | 01h40 por Ensei Neto

O café como bebida, que você saboreia numa cafeteria ou em sua casa, é resultado do esforço de muitas pessoas, desde o cultivo e a colheita das frutas no cafeeiro, passando pela secagem, armazenagem, comercialização e torra. Nesse tanto de atividades que se entrelaçam, existem histórias marcantes de mulheres que ajudaram a mudar a forma de produzir, liderar e educar no mundo do café.

FOTO: Kacper Pempel/Reuters

 

Divinolândia é um município paulista localizado na Média Mogiana, numa das pontas da Serra da Mantiqueira, na divisa com Caconde, São Sebastião da Grama e Poços de Caldas. Boa parte da produção de café vem de pequenas propriedades de até dez hectares, onde todo o trabalho é feito pela própria família, muitas associadas à Associação dos Cafeicultores de Montanha de Divinolândia (APROD).

No caso do Sítio Pirapitinga, da Família Borges, Enquanto José Clovis cuida do cafezal, Regiane é quem controla a secagem das frutas durante o tempo de colheita – o que, alías, tem garantido lotes de excelente qualidade. Como complemento para a renda familiar, Regiane torra magistralmente os cafés, num tradicional torrador tipo bola, e faz queijos disputados que são disputados na cidade. A propriedade recebe visitas e está a 1.300 metros de altitude numa encosta que tem uma vista muito bonita.

A Aliança Internacional das Mulheres do Café (cuja sigla em inglês é IWCA) é uma organização sem fins lucrativos, que tem como objetivo dar maior visibilidade às atividades desempenhadas por mulheres na cadeia produtiva do café.

Mulheres do café. Fotos: Ensei Neto/Arquivo Pessoal

 

O braço brasileiro da IWCA – que oferece capacitação técnica e de gestão de propriedades, além de seminários para difusão de conhecimento e informação – foi fundado em 2012 e teve como sua primeira presidente Josiane Cotrim Macieira, jornalista com mestrado em Comunicação Política e de família de pequenos produtores em Manhumirim (MG).

Sua vivência internacional – seu marido é embaixador brasileiro – auxiliou muito na construção de sua liderança junto às mulheres do café do Brasil. Além de tudo, Josiane é dona de grande cultura que pode ser compartilhada num delicioso bate-papo acompanhado por um bom café.

A cafeicultura, ao longo do tempo, formou mulheres de grande liderança em setores onde ainda são figuras raras. Duas mulheres têm se destacado no campo das cooperativas, conduzindo uma das mais criativas e bem sucedidas do setor, a Coocacer Araguari, com sede em Araguari, no Cerrado Mineiro.

A partir de mudanças ocorridas na estrutura da organização em 2004, Evanete Peres, diretora do conselho de administração, e Eliane Cardoso, superintendente, passaram a moldar a Coocacer para os novos tempos que davam as caras: o armazém mais que duplicou sua capacidade de estocagem e processamento, atendendo às mais importantes certificações internacionais. Houve também investimento na formação de equipes de controle qualidade e, principalmente, na capacitação técnica dos produtores.

A Coocacer tem, ainda, modelo de gestão transparente, sendo a primeira cooperativa em Minas Gerais a resgatar créditos de impostos estaduais na forma de veículos e caminhões aos seus cooperados. Foi também a primeira cooperativa a organizar um e-commerce para realizar venda de café cru diretamente aos coffee lovers.

Num mercado em que o número de pessoas que se tornam apaixonadas por café só aumenta, assim como a procura por cursos de métodos para preparar o café em casa e de como distinguir diferentes variedades, Gisele Coutinho, que tem o codinome Pura Caffeína, tem se destacado. Ela ministra cursos e workshops de forma divertida e descomplicada, sem qualquer afetação. Com o mote “Dominando…” para cada método de preparo, eles seguem ajudando a mudar para melhor o consumo do café.

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