Paladar

Um café para dividir

Histórias e experiências sobre o café

Precisamos apoiar as cafeterias locais

E não estamos falando apenas sobre delivery; devido ao alto custo dos aplicativos de entrega, casas têm migrado para o sistema de retiradas

17 de maio de 2020 | 23h52 por Ensei Neto

O distanciamento social é uma das medidas adotadas no Brasil para tentar minimizar a propagação da covid-19. No entanto, há, sim, um lado negativo nele: como parte desse mecanismo, estabelecimentos que não estavam preparados para realizar entregas em domicílio de seus produtos optaram por fechar as portas até saber qual rumo tomar.

O primeiro “boom” logo após o decreto da quarentena foi o do delivery de restaurantes, bares e cafeterias. Quem possuía esse tipo de serviço estruturado, ganhou terreno rapidamente. Já outros tiveram que se adaptar (e pagar pelo aprendizado às pressas).

FOTO: Amanda Perobelli/Estadão

 

Apesar da transformação intensa e forçada a que muitos negócios estão sofrendo, o mercado ainda é regido pela básica lei da oferta e procura. Veja, por exemplo, o que aconteceu com o preço dos combustíveis, que estavam atingindo níveis impensáveis e que, de repente, retornaram a valores de três anos atrás. No caso da explosão de pedidos de comida, cafés e outros itens para entrega em casa, o serviço de delivery se tornou muito requisitado. Demanda, demanda e demanda. Nunca motos, bicicletas e até carros circularam tanto levando tanta comida e bebida.

Ao final da primeira rodada, digamos assim, alguns empreendedores fizeram as contas e viram o quão dolorida era a fatura devida aos aplicativos (taxas de serviço), fazendo com que muitos estabelecimentos desistissem dessa modalidade. O peso do serviço prestado pelos aplicativos, a depender do produto, chega a bater mais de 25% do valor pago pelo consumidor, sobrando muitas vezes para o dono da cafeteria ou do restaurante um montante que não cobre todos os custos.

O novo foco é o de promover o movimento de produtos para retirada, conhecido como take away ou take out, como alternativa para o negócio girar. Ou, como alguns estão fazendo, serviço de delivery para um raio mais restrito, o que garante também a qualidade do produto oferecido.

Cafeteria. FOTO: Ensei Neto/Arquivo pessoal.

 

Isso leva a um movimento muito interessante de valorização do negócio local de forma ainda mais intensa, onde o relacionamento direto torna-se fundamental. Era como os antigos empórios e quitandas de bairro funcionavam, muitos com as clássicas cadernetas de anotação das compras, que antecederam as “notinhas no prego” e, depois, as compras faturadas.

Num momento delicado, em que quase toda a cadeia de alimentação fora de casa ficou momentaneamente no limbo, para os que estão em atividade, ter clientes que valorizem o seu trabalho é fundamental para que possam continuar. Cafeterias, lanchonetes, restaurantes e até os botecos podem continuar, sim, fazendo parte do nosso dia a dia, assim como outras atividades, como a mercearia, a loja de armarinhos e de artigos de reparos domésticos.

Deixo como lembrete que o movimento chamado Grão Coletivo, que pode ser encontrado no Instagram  (@grao.coletivo), está congregando diversas cafeterias do Brasil que mantém serviço de delivery e take away. Mais uma forma de você encontrar a cafeteria mais próxima da sua casa. Esse apoio é muito importante neste momento, pois com o comércio direto, todos podem sair ganhando.

Tags:

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Ficou com água na boca?

Tendências