Paladar

Um café para dividir

Histórias e experiências sobre o café

A imigração japonesa e o café

Nos 112 anos da imigração japonesa no Brasil, o café continua como ligação entre as duas culturas

21 de junho de 2020 | 18h55 por Ensei Neto

O dia era 18 de junho de 1908.

Eram 781 pessoas vindas do distante “país do sol nascente” que desembarcaram no porto de Santos atrás de uma vida melhor, em busca de árvores que frutificavam ouro. O Japão saía de um período de guerras e sua economia estava arrasada.

Ao mesmo tempo, o Brasil entrava em novo período político com o fim da monarquia, coincidente com a abolição da escravatura, assinada pela Princesa Isabel. Com isso, para aumentar o contingente de pessoas trabalhando nos cafezais, o governo brasileiro firmou acordos de cooperação com alguns países para facilitar a imigração, dos quais o Japão foi um dos signatários.

As lavouras de café, dominantes nas paisagens de diferentes pontos do interior paulista, ficavam, em sua maioria, ao longo de linhas férreas que deram nomes que passaram a identificar as origens como a Mogiana, a Sorocabana e a Alta Paulista.

Apesar de todas as dificuldades de língua, clima e costumes, esses imigrantes passaram a adotar o Brasil como seu lugar para viver definitivamente.

Os descendentes de japoneses, hoje em boa parte em sua 5ª geração em nosso País, constituem a maior colônia fora do Japão, grande parte vivendo em São Paulo.

De início, a maior parte das famílias continuou na atividade agrícola, porém, a partir do final da década de 1950 muitas tinham descendentes como profissionais liberais, atuando também no comércio e na indústria.

No cultivo do café, cuja árvore foi o argumento que arregimentou os primeiros japoneses para vir ao Brasil, existem várias famílias em atividade realizando importante trabalho como Nakao, Tsuge, Miaki e Fukuda, no Cerrado Mineiro, e Minamihara, na Mogiana, por exemplo.

No setor de exportação de café, os principais conglomerados japoneses, como Mitsui, Mitsubishi, Marubeni e UCC, atuam ativamente, mantendo escritórios no porto de Santos.

89ºC Coffee Station. Foto: Ensei Neto/Arquivo pessoal

Em São Paulo, você encontra a cafeteria 89ºC Coffee Station, na mais importante esquina do bairro da Liberdade, junto à estação Liberdade do metrô, num ambiente que lhe transporta por momentos ao Japão. Serviço atencioso e eficiente, cafés bem preparados, doces e tortas ao estilo yogashi, que tem influência francesa, que valem a visita. A conferir nestes tempos de pandemia os serviços disponíveis.

Para finalizar, esta é uma sobremesa com receita que inclui o café como ingrediente e que é da estrelada chef Telma Shiraishi, do restaurante Aizomê:

Receita Coffee Jelly, gelatina de café

Ingredientes
500 ml de água filtrada ou mineral,
4 g de kanten em pó (ágar-ágar, extraída de algas marinhas),
50g de açúcar,
15g de café solúvel.

Preparo
1. Dissolva o kanten na água fria em uma pequena panela.
2. Leve ao fogo médio, acrescente o açúcar e mexa para manter a mistura homogênea.
3. Quando a levantar a fervura, acrescente o café solúvel e misture por 2 minutos, mantendo a fervura branda.
4. Retire do fogo e deixe esfriar um pouco antes de colocar em uma tigela ou em forminhas. Não deixe esfriar demais, pois o kanten se solidifica abaixo dos 40ºC.

Para servir:
1. Corte a gelatina em cubos e coloque em uma taça ou tigela pequena.
2. Para completar, utilize leite condensado ou creme de leite ligeiramente batido e aromatizado com conhaque ou um licor de sua preferência. Outra opção é adicionar sorvete de creme.
3. Como decoração, acrescente um toque de cacau em pó ou raspas de limão.

Bom proveito!

Coffee Jelly. Foto: Divulgação.

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