Paladar

Um café para dividir

Histórias e experiências sobre o café

Pandemia, arte inclusiva e economia circular

Um filtro de papel de café pode ser surpreendente material de arte.

18 de janeiro de 2021 | 02h16 por Ensei Neto

O mercado de café nos últimos tempos tem adotado caminho do consumo engajado aos temas relacionados com o meio ambiente. Muitas pessoas, conscientes da responsabilidade de preservar e conservar o nosso planeta, têm preocupações com a forma de consumir e seus impactos, como dar destino ao pó de café depois da extração ou do uso mais responsável da água durante o preparo.

Por exemplo, o que fazer com o coador depois de preparar o café?

A borra do café pode ser usada de diversas formas como matéria orgânica para sua horta ou pomar, mesmo que em vasos, além de entrar em formulações de sabonetes com função esfoliante.
O filtro de papel geralmente é descartado como lixo, a não ser que vá para um sistema de compostagem.
É aqui que começa uma história de inovação que a pandemia pelo covid19 iniciou.

Sidnei Robinson de Oliveira era bancário e aposentou-se por razão de saúde. Cadeirante, costumava fazer passeios diários pelo bairro onde reside, em Mogi das Cruzes, como forma de se exercitar, até que a pandemia o fez ficar em casa para respeitar o isolamento social.
Como grande parte das pessoas que passaram pela mesma experiência, Sidnei passou a consumir mais café do que antes do isolamento.
Num ato sem qualquer planejamento, começou a guardar os filtros de papel usados, retirando inicialmente o pó de café passado. Depois de secos, dobrava-os, formando quadrados, e entregava à sua mãe para guardá-los.

Com o tempo, Sidnei viu que tinha acumulado quantidade considerável desses quadradinhos e resolveu colocar numa mesa. Foi quando observou que o café havia feito marcações diferentes em cada filtro, conferindo  personalidade a partir de cada extração e a combinação do café usado, a quantidade de pó e o volume de água.
De início, como um passatempo, ele começou a fazer montagens de forma intuitiva.
Os resultados foram surpreendentes!

Obra I, Robiney. Foto: Divulgação.

Sidnei, que adotou o nome artístico de Robiney, começou a testar formatos e técnicas diferentes, criando, assim, uma nova arte com um subproduto do preparo do café. Num efeito colateral,  seu hobby, ao tornar-se um trabalho artístico, encaixou-se no conceito de economia circular, quando materiais que seriam descartados ganham valor ao serem transformados!

Obra II, Robiney. Foto: Divulgação.

Serviço: Sidnei Robinson, Instagram @robiney31.
Contato: robiney31@hotmail.com .

 

 

MAIS CAFEÍNA

De clube de assinatura de café para loja de rua, o curitibano Moka Clube, do mestre de torras Hugo Rocco, desembarcou em São Paulo, no concorrido bairro de Pinheiros, para apresentar e oferecer seus cafés garimpados entre diversos produtores de todo o Brasil  junto de completa linha de utensílios. Faz degustações todos os dias.
Serviço: Moka Clube, Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 171, Pinheiros. www.mokaclube.com.br

 

A italiana illycaffè, de Trieste, conhecida pelo pioneirismo no comércio direto e justo com produtores, e forte trabalho educacional para formação de especialistas com a Università del Caffè, abriu nesta semana sua primeira loja conceito da América Latina , com completo serviço de café e os produtos exclusivos como as belas xícaras illy Art Collection.
Serviço: illy Caffè São Paulo, Rua Haddock Lobo, 1497, Jardins.
Segunda à sexta-feira, das 10h às 19h. Sábado, das 13h às 17h.
Telefone: 3063-4004.

 

MENOS CAFEÍNA

Nem só de boas notícias vive o mercado de café.
Encerrou suas atividades neste dia 15 de janeiro a festejada cafeteria Hey! Coffee.
Sob a batuta do Tiago Munch, a Hey! foi ousada ao entregar excelentes cafés com ótimo e simpático serviço na região da República, na Dom José de Barros, preterida por cafeterias dessa estirpe.
Esperamos que essa perda possa ser reposta em breve.

 

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