Paladar

Vida sem cafeína

Um café para dividir

Histórias e experiências sobre o café

Vida sem cafeína

Entenda como são feitos os cafés descafeinados. E como conseguir passar um cafezinho com menor teor de cafeína

05 julho 2018 | 01:27 por Ensei Neto

Uma das características mais importantes do universo em que vivemos é o fato de que todos que dele fazem parte são indivíduos, ou seja, não existem dois serem idênticos. Parecidos ou similares, sim; iguais, jamais. Posto isto, fica claro que ao consumir algo como o café, por exemplo, cada pessoa terá uma percepção diferente dos sabores e aromas, muito ligado com as experiências particulares de cada um.

Um café sem cafeína pode ser simplesmente um destempero sem sentido uma vez que preparar café nada mais é do que extrair cafeína! Algumas pessoas dizem que beber café descafeinado é como a vida sem cores, som sem graves e agudos ou omelete sem sal.

Se a cafeína é uma substância originalmente presente na semente do café, deve ficar claro que para ser subtraída um processo químico fatalmente será empregado, resultando num produto não integral ou natural. É como consumir um produto light, que, na realidade, precisa de diversas substâncias, digamos, não naturais como substituas das retiradas e, ao menos, lembrar o original. Diria que é preferível consumir menos e manter a qualidade integral do que ficar com um substituto que tenta enganar os nossos sentidos.

Foto: Ensei Neto/Arquivo Pessoal

No caso do café, existem dois processos básicos para se descafeinar: utilizar um solvente tipo hexana, a mais empregada, ou por processo que emprega a água saturada. O processo com a hexana é muito eficiente, pois a cafeína se combina com facilidade. Apesar de ser tóxica, a hexana ao final não deixa resíduos, pois se volatiliza.

O outro processo tem o seguinte princípio: prepara-se uma solução em água com composição muito parecida com a encontrada no café torrado, porém sem a cafeína. Dessa forma, a cafeína migra do grão torrado para a solução aquosa. Infelizmente, parte dos sabores também acaba se perdendo nesse processo.

Uma terceira via pode ser o emprego de uma variedade de cafeeiro que naturalmente possui um teor de cafeína muito baixo. A Laurina, variedade que possui essa característica, tem como ponto negativo sua baixíssima capacidade de produção, o que torna o valor da semente simplesmente proibitivo.

Mas, há uma dica muito boa: se preparar café é um processo de extração, basta se lembrar que a cafeína é uma substância que precisa de maior tempo de contato com a água quente para ser retirada das partículas do café torrado e moído. Logo, se você desprezar durante o preparo do seu café preferido algo como os 20% finais do volume (algo como 100 ml se fosse um preparo original de 500 ml ou meio litro), sua bebida terá uma quantidade muito menor de cafeína.

Nesse caso, usar um jarro graduado para preparar o café ajuda muito. E, o resultado fica bastante bom, menos amargo em razão da quase ausência da cafeína, sendo, antes de tudo, natural.

Abraços cafeínados!

Tags: