Paladar

Um café para dividir

Histórias e experiências sobre o café

Você no comando – 1. Aeropress

A Aeropress é uma cafeteira muito simples de usar e que lhe dá todo o controle da extração.

23 de novembro de 2021 | 11h46 por Ensei Neto

Preparar o seu café predileto é um ritual que segue um roteiro que pode até passar despercebido para muitas pessoas, que o fazem geralmente de forma automática. Apesar dessa aparente simplicidade, a quantidade de decisões que devem ser tomadas em poucos instantes é grande.

Acompanhe o roteiro:

  • Escolha os grãos, conferindo seu perfil sensorial;
  • Defina o método que você pretende utilizar;
  • Selecione a moagem do grão de acordo com o método (mais fino, médio ou moagem grossa);
  • Defina a quantidade de bebida que você pretende preparar, para calcular a proporção ideal;
  • Pese o grão moído;
  • Aqueça a água na quantidade necessária, já considerando a quantidade de pó;
  • Verter a água no pó de café e definir a quantidade por faixa de tempo até usar toda a água.

À medida que as pessoas se interessam mais pelos diferentes detalhes de cada método e pelas bebidas que podem ser obtidas, tentar manipular alguns dos parâmetros começam a fazer parte do seu novo repertório de “mestre de preparos de café”!

Baby Yoda & Aeropress. Arte: Daniel Kondo.

Um dos métodos mais interessantes que surgiu nos últimos anos que permite trabalhar os diferentes parâmetros é, sem dúvidas, a Aeropress.
Criação do então engenheiro aposentado Alan Adler, essa cafeteira minimalista surgiu de sua busca por um preparo de café que pudesse dar mais evidência à acidez e ao menor amargor.

Adler começou a estudar métodos como o espresso, a prensa francesa e a percolação (coado clássico) para entender o que cada um apresentava como vantagens e deficiências para, então, elaborar um novo sistema que combinasse o melhor de todos.

Assim, em 2004 foi lançado o Aeropress, que rapidamente caiu no gosto de profissionais de todo o mundo devido à sua versatilidade no preparo do café.
Seu formato que lembra uma grande seringa, tem o corpo transparente que permite se observar facilmente o volume de café que está sendo preparado. O êmbolo é composto por uma base emborrachada que garante excelente vedação, de forma que um razoável esforço é necessário para fazê-lo descolocar, mesmo em condições normais. Na parte aberta fica um recipiente vazado onde pode ser colocado o filtro de papel ou, como é oferecido por outras empresas, filtros metálicos com microfuros, que lembram telas de uma prensa francesa.

Espátulas & Aeropress. Arte: Daniel Kondo.

Você pode utilizar a Aeropress de duas formas: uma clássica, onde o recipiente onde fica o filtro de papel ou metálico fica na posição inferior, basicamente uma percolação sob alta pressão, e a invertida, muito usada por baristas, que é a infusão, até o momento de virar a cafeteira e, então, pressionar o êmbolo para a extração da bebida.

Rapidamente se popularizou e ganhou o mundo, tanto pela simplicidade de uso, pequeno volume para transportar, por dispensar a eletricidade para seu funcionamento e, principalmente, pelas variações que permite no preparo do café.

E quais as possibilidades que a Aeropress oferece para, digamos, fazer intervenções?

São diversas!

Você pode iniciar seus testes com diferentes moagens, desde uma mais grossa, típica da prensa francesa, até uma mais fina, que vai exigir um pouco mais de “braço” ao pressionar o êmbolo…

Outra intervenção é a agitação.
Agitar ou não agitar o pó com a água, recomendável para a posição invertida. Se você agitar mais, melhor será a extração, podendo retirar, por exemplo, mais cafeína; se preferir uma bebida com mais acidez, trabalhe com moagem mais grossa e agite pouco.

Aeropress, Spaceship. Arte: Daniel Kondo.

Tem, ainda, a possibilidade de você usar a água em diferentes temperaturas.
Quanto mais quente a água, fervente, mais eficiente é a extração, portanto, com a possibilidade de levar maior amargor à sua xícara.

Uma técnica interessante é a de começar com uma temperatura da água quase fervente na hidratação inicial, adicionar água com temperaturas decrescentes, privilegiando a maior presença do sabor doce.

Experimente e comente.

As artes são do artista gráfico Daniel Kondo, que você pode seguir pelo perfil no Instagram @danielkondo_ 

 

 

 

 

 

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