Paladar

Jô Auricchio

A primeira bala

19 fevereiro 2009 | 17:03 por Estadão

Eu tenho um problema. Uma obsessão por balas, guloseimas e comidas portáteis. Sempre gostei de balinhas, mas minha vida virou do avesso quando descobri que existiam sabores muito mais intensos que as balas Juquinha da minha infância.

Já pensei seriamente em me tratar, mas depois de ver o preço do analista, achei melhor gastar o dinheiro em balas. E não em quaisquer balinhas. Meu negócio é sabor hardcore.

Curto ofender minha mucosa bucal com balas extremas, chocolates com tamanha concentração de cacau que chegam a ser salgados e salgadinhos tão estranhos que meu fiel cão enterraria sem pensar.

E não há melhor modo de começar do que encarando uma das balas mais poderosas que já provei: a lendária Altoids.
A lendária lata da Altoids
Imagine o Bruce Lee. Agora, imagine ele passando por uma poça de óleo de hortelã instantes antes de desferir uma voadora na sua boca. “Waaatáa!”. É essa a sensação que a Altoids passa.

Acho que dá para fazer uns 2 Kg de balas Kids com apenas uma Altoids. O negócio é tão forte que chega a mudar a voz de tão hardcore.
A bala Altoids
O mais legal é que a bala não é dura. Ela esfarela na boca na hora certa. Tem o tamanho certo e nem é tão doce. Mas é forte.

Dá para ficar mais de meia hora com o hálito perfumado. Imagine se uma mísera Tic Tac consegue tal proeza…
O papel interno da Altoids
A latinha dela faz um barulhinho gostoso, um “pockit” convidativo, quando abre. O mais bacana é que o papel interno conta toda a história da bala, que começou a ser fabricada em Londres na virada do Sec. XIX, na época do Rei George III.

A receita original, segundo a latinha verborrágica, é a mesma desde aquela época.
O invólucro interno da lata de Altoids
Como vem bastante na latinha, é o tipo de bala ideal para compartilhar com os amigos.

Mas é uma bala violenta, do tipo que morde a parte interna da sua bochecha. Por isso mesmo, uma latinha de Altoids costuma durar uns 3 dias, se o consumo for moderado.

Um grande barato da Altoids é que a bala virou uma espécie de cult entre os nerds/geeks nos anos 1990, principalmente por causa dos anúncios na revista americana Wired, que foi uma bíblia dos descolados hi-tech do vale do silício até o fim da bolha da internet, em 2000.

Lá fora, principalmente nos EUA, a latinha custa US$ 3 e pode ser encontrada em qualquer lojinha, banca de jornal ou farmácia.

Aqui no Brasil, algumas padarias bacanas e grandes empórios vendem a bala por R$ 16 em média. Caro, mas acredite, vale cada centavinho.

Ficou com água na boca?