Paladar

Jô Auricchio

Levantando da cova

22 maio 2009 | 11:53 por Estadão

Já faz um tempinho que não aparecem novidades por aqui.

Sabem quando aquele caminhão desgovernado de coisas para resolver acaba tirando a gente da rota que queremos ir? É mais ou menos isso que tem me impedido de postar com frequência.

Bem, as coisas estão se assentando, finalmente estou recuperado da última guloseima vil que provei – meu fígado quase se mudou, de tão indignado – e logo voltamos à programação normal.
Como aperitivo do que virá,e levando em conta o título desse post, vamos falar sobre uma das comidas mais bizarras que já comprei: carne seca.

Carne seca é um mistério para mim. Tem gente que adora, gente que odeia.


Minha primeira experiência com carne seca industrializada na forma de salgadinho aconteceu duranteu ma viagem a trabalho aos EUA.

Eu precisei rodar por quase duas horas, saído direto de um compromisso, para outro. Sem tempo para almoço, parei em uma loja de conveniência para comprar suprimentos de viagem. Como quase tudo por lá tem muito carboidrato ou gordura, achei que a iguaria menos nociva seria a carne seca.

Por lá, eles vendem a carne seca como se fosse salgadinho. Sabe aqueles sacões de “isopor comestível” que vendem no farol? Pois dá para encontrar carne seca daquele tamanho.

Peguei um saquinho, fiz o sinal da cruz e voltei para o carro. Não vou dizer que é ruim, mas a textura de farelo de múmia me deixou desconfortável. E o sal, nossa… não sei como quem come isso direto não precisa de rins avulsos, seja pela quantidade de sódio ou pela ingestão de uma quantidade insana de proteínas.

Realmente o snack matou minha fome estradeira, mas eu preferia ter comido algo menos mumificado. É gostosinho, mas acho que pode não ser uma boa para a bioquímica do corpo. Eu tenho um lema que levo muito a sério: gordo, baixinho e careca, tudo bem. Mas malcheiroso, jamais! E eu meio que senti aquela aura de carne exalando pelos meus poros, algumas horas depois.

Não quero soar natureba nem parecer um chatão gastronômico, mas eu prefiro minha carne menos parecida com o Munn-Ra. É realmente uma proeza deixar a carne daquele jeito, defumada, esfarelenta, seca ao ponto que as bactérias preferem deixar para lá. Mas é meio neandertal demais para meu gosto sair por ai mastigando carne como se fosse bolachinha de água e sal.

Ficou com água na boca?