Paladar

Jô Auricchio

O pão sem alma

11 março 2009 | 19:52 por Estadão

Depois que vi o post no blog do Américo, me animei a fazer um pão em casa.

Desde que ganhei uma máquina da patroa, eu me arrisco a fazer um ou outro pãozinho.
Coisa totalmente despojada, sem um quark da classe do Américo, mas resolvia. O chato de fazer pão é que eu sempre espalho farinha pela cozinha. E olha que é só colocar a medida certa na máquina…

Então, eu acho por acaso no mercado uma mistura pronta para pão. Opa, será que isso resolve meu problema de bagunça?


Bem, eu tentei hoje de manhã. O ciclo de preparo da minha máquina leva 3 horas. Acordei cedo para dedéu, segui a receita direitinho, coloquei água na temperatura ambiente, o fermento, tudo como mandava na embalagem.

O cheiro de pão assado foi invadindo a casa, aquela promessa de um bom desjejum no ar.

Aí, família reunida em torno do pão pronto. Douradinho, como era de se esperar.
Cortei o pão, crocante por fora, macio por dentro, legal.

Mas foi dar a primeira mordida que meus sonhos foram esmigalhados.

O pão de pacote não tinha alma, não tinha aquele sabor gostoso de pão feito em casa…

Era vazio de sabor. Que tristeza.

A decepção foi enorme. Minha filhinha colocou um pedaço na boca, olhou para mim decepcionada e na sabedoria dos seus 18 meses cuspiu o pão, com um sonoro “Bléeee”. E decretou: “tá ruim”, com aquela vozinha de boneca que as menininhas lindas vêm equipadas de fábrica.

Nem meu fiel canino Bender Rodriguez conseguiu encarar o vazio insosso. Ele fez questão de levar o pedaço que ganhou ao jardim, onde imediatamente enterrou, como que ofendido.

Eu aprendi uma valiosa lição. Pão tem todo o símbolo cristão em cima por um belo motivo. É vida, transformação e energia. Tentar emular isso com um produto industrializado não dá certo.

Por isso, eu digo: mistura para pão industrializada? Não, obrigado. Eu fico com minhas guloseimas esquisitas cheias de sabor.

É claro que essa é apenas minha opinião. Pode ser que minha máquina de fazer pão tivesse acordado com o pé esquerdo, vai saber…

Ficou com água na boca?