Paladar

Jô Auricchio

O tenebroso “fakeijão”

14 junho 2009 | 16:56 por Estadão

Vocês já pararam para ler a composição do requeijão ultimamente?

Pois é, o requeijão old school, feito apenas com derivados de leite, está em extinção.

O que a maioria dos fabricantes vende é uma mistura repulsiva e insossa feita com amido de milho. Amido, sim, a popular Maizena. E o mais inaceitável: gordura vegetal.

Agora, francamente, se eu quisesse comer mingau sabor queijo, eu fazia em casa. E, tirando o Tofu, pelo qual eu não morro de amores, eu não como nada que se proponha a ter gosto de queijo cuja gordura não tenha saído do leite de um herbívoro. Usar gordura vegetal é cortar caminho. O vegetal vira leite pela ação da vaquinha. Eu não acho prudente atropelar os reinos da natureza dessa forma.

Essas criações “geniais” com nome de requeijão não merecem o título. São falsas, imitações tristes que tentam ludibriar nossos paladares. Não é requeijão, é “fakeijão”.

Em minhas peregrinações em busca de um requeijão de verdade, achei que o requeijão Catupiry, o Fazenda Bela Vista e o Aviação representam bem a linhagem antiga do requeijão verdadeiro.

Ilan Kow, nosso poderoso chefinho, me atentou que um requeijão de classe à venda é da marca Crioulo.

Depois de bastante procurar, achei o danado no supermercado do Shopping Bourbon. Custo-benefício imbatível: R$ 3,50.

Gente, valeu a busca. Ele não só é mais gostoso que o requeijão Catupiry como ainda honra o legado old school, pois vem em copos de vidro. Copo de vidro, nesses tempos de plastiquinho vagabundo na embalagem, é luxo.

Pelo sabor, valeria até o dobro do preço.

O Paladar fez uma matéria bacana ano passado sobre o assunto. Vale a leitura.