Paladar

Para começar, umas tapas

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Para começar, umas tapas

18 julho 2011 | 11:02 por Luiz Américo Camargo

Fiquei fora do ar por alguns dias. Mas foi por uma boa razão e volto aqui para relatar. Retomando, então, a rubrica ‘Eu só queria viajar’, inaugurada em julho do ano passado, começo o relato das férias por Madri, onde o calor não está para brincadeira.

A primeira refeição, por assim dizer, logo depois do inevitável périplo ‘desembarque-desenlace-de-bagagens-saída-do-aeroporto-check-in-no-hotel’ foi no Mercado de San Miguel. Trata-se de um antigo centro comercial que foi reformado, repensado e, desde 2010, funciona muito mais como um aglutinador de bares e bancas de tapas e petiscos do que como uma feira – ainda que haja barracas de frutas, peixes, grãos.

 Qual é graça do passeio? Você fica perambulando pela construção centenária (o San Miguel não é muito grande), rodando, provando várias coisas, se entretendo com a bagunça – que é organizada. Pode abocanhar os quitutes, porções e sanduíches andando, ou ocupando as mesas da parte central (muito concorridas).

Este é o tipo de iniciativa que consegue o feito improvável de conjugar a função de programão turístico com boa opção de comida. Está sempre cheio e, por vezes, não é muito fácil ser atendido. As tapas, por sua vez (custam entre 1 e 3 euros), certamente não são as melhores da Espanha, mas satisfazem.

Provei uma dúzia de coisas, mas fui um tanto relapso com as fotos: é um dos problemas de você chegar num lugar com muita fome. Contudo, posso dizer que gostei do que comi na ‘Casa del Bacalao’ (entre croquetes e tapas feitas não somente com gadus morhua, mas com outros peixes) e na ‘Pescado Original’ (o nome é bonzinho, não?).

 

O Mercado de San Miguel está perto da Plaza Mayor, no meio de uma das zonas mais agitadas da velha Madri. E dá o que pensar enquanto intervenção urbana. Ao mesmo tempo que representa a recuperação de uma bela (e antes ameaçada pela degradação)estrutura arquitetônica, cria um pólo efervescente que mistura jovens espanhois baladeiros, gourmets mais velhos, turistas estrangeiros, pais e filhos, gente de várias idades. Uns estão mais interessados na gastronomia, outros nas bebidas alcoolicas, outros tantos só querem flanar e matar o tempo.

Ou seria matar as tapas?

Mercado de San Miguel – Na Plaza San Miguel (basta procurar o cruzamento da Calle Mayor com a Calle Doutor Miranda), Madri. 10h/0h (5ª, 6ª e sáb., até 2h).