Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

6 x 10

18 agosto 2009 | 00:32 por Luiz Américo Camargo

O placar acima nada mais é do que a expressão de uma estatística. De uma média, a bem da verdade.

De cada dez contas que pago em restaurantes, mais da metade contém erros. Confiro item por item, quantidade, preço, o que pedi, o que não pedi. As retificações necessárias são frequentes. Tenho até a impressão que os equívocos estão se repetindo mais do que nunca.

Por que se enganam tanto? Muitas vezes, porque trabalham de forma automática. O erro mais comum: a inclusão de um couvert que não comi. “Por favor, pode tirar da conta? Eu dispensei o couvert”. “Ah, claro”. O garçom sabia. Mas o profissional que controla comandas não deve ter dado muita bola. E acrescentou lá os tais R$ 10 ou R$ 20. Disparado, é o problema mais recorrente.

Um outro, que volta-e-meia aparece: o cálculo da quantidade de águas. Mais um: se vou com minha filha a um bufê, sempre pergunto, antes de começar os trabalhos, se ela paga meia. Sim? Ok. Não importa. A conta fatalmente exigirá correção, pois vão esquecer e cobrar o preço cheio.

É má fé? Eu quero crer que não. Eu acho mesmo que não. Trata-se de desatenção, quem sabe de déficit de competência. Até porque, não raro, o erro acontece a meu favor. Esquecem de cobrar uma sobremesa, de incluir uma rolha de vinho, de anotar o café. E eu peço para alterar, do mesmo jeito. Não quero ser lesado nem tampouco lesar ninguém. Quero pagar pelo que comi e pelo que bebi, é isto.

Se eu fosse restaurateur, entretanto, ficaria muito preocupado com o tal do 6 x 10. Podem estar perdendo dinheiro – ou, quando não, confiabilidade.

Ficou com água na boca?