Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Ah, o bom senso…

28 maio 2010 | 00:40 por Luiz Américo Camargo

O título deste post diz respeito a uma visita rápida e não programada ao Vito, para um prato de massa no fim de noite.

Um primeiro acerto do serviço: o garçom explicou que, na casa, o couvert não vinha automaticamente. Só se o cliente pedisse – o que eu acho corretíssimo. Pedimos, e chegou uma cesta com focaccia, pão italiano, fora caponata, azeite etc.

 Os demais acertos vieram na sequência, encabeçados desta vez pelo responsável pelo diminuto salão (Gustavo é o nome dele). Ele explicou qual era a sugestão do dia, costelinha de porco defumada, e logo informou o preço, R$ 45 (coisa rara; em geral, o ‘especial do chef’ não tem preço explicitado, e você descobre na hora da conta, na forma de uma bela facada). E contou ainda que havia espaguete fresco, para ser servido em determinadas receitas. E descreveu, com propriedade, as possíveis combinações de massas e molhos, e em que circustâncias a tal pasta funcionaria melhor.

Tudo isso falando apenas o necessário, com educação e objetividade.

Quando a água mineral – controlada por nós mesmos – acabou, ninguém veio com uma garrafinha já aberta. Perguntaram apenas se poderiam trazer outra (não precisou). Fora que não houve insistência para consumo de vinho, uma tendência crescente em muitas casas.

O Vito é um restaurante pequeno, de bairro, quase despretensioso. Mas é louvável que consiga manter uma brigada com tanto bom senso. E quem acompanha este blog sabe como implico com os excessos e cacoetes de serviço na restauração paulistana.

Tem segredo? Eu diria que é mais uma questão de treinamento, de trabalho duro. De entender que serviço é um misto de eficiência, acolhimento, cordialidade, lucidez.

Diante disso, eu só tenho a dizer: obrigado.

Ficou com água na boca?