Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Apetite real

08 janeiro 2010 | 08:58 por Luiz Américo Camargo

Hoje, Elvis Presley completaria 75 anos de idade. Ou completa, melhor dizendo, caso você acredite que ele não morreu.
Este blog, obviamente, não costuma tratar de música, ainda que, aqui e ali, esbarre na cultura pop. Mas trazendo a memória do king of rock’n’roll para a praia da comida, queria lembrar o controvertido apetite do ídolo.

Consta que Elvis tinha funcionários de cozinha 24 horas à sua disposição. Ele poderia ter fome em plena madrugada, na imensidão dos aposentos da mansão de de Graceland. Ou querer um café da manhã (mais) reforçado – há relatos que falam em desjejuns de 5 mil calorias, com ovos, manteiga, linguiça, e bacon, sempre muito bacon. Mas queria tocar num ponto mais específico. O seu adorado fool’s gold loaf, um super sanduíche com um enorme filão de pão, manteiga (para besuntar o pão), um vidro de pasta de amendoim, um vidro de geléia de uva, e, claro, mais bacon (nada menos do que um pound, ou 453 gramas).

Larica, gulodices, excessos, todo mundo uma hora comete. Mas the king consumia esse tipo de coisa cotidianamente. Enfim, ele devia ter seus motivos para comer assim (e, se não tivesse, ninguém tinha nada a ver com a vida dele). Porém, eu tenho uma curiosidade: que tipo de prazer gustativo ele extraia de tal miscelânea? Ok, temos a junção da gordura (muita) com a doçura (muita, também), o que permitiria um certo equilíbrio. Mas uva com amendoim, ainda por cima escoltando fartas tiras de bacon frito? Os especialistas estimam que o fool’s gold valesse em torno de 7 mil calorias. E pessoas que se dedicaram a estudar os hábitos de Elvis contam que, num dia faminto, ele consumia mais de 50 mil calorias. Seria possível?

Por fim, duas coisas em defesa do cantor. Seu portentoso sanduba não é assim tão mais bizarro do que muitas coisas que são vendidas em lanchonetes dos EUA e mesmo aqui em São Paulo. E, antes que alguém tire conclusões erradas: o sucesso ‘Love Me Tender’ é mesmo uma canção romântica. Nada a ver com aquele presunto que costuma se comer no Natal (Elvis tinha uma fome de doido; mas não rasgava dinheiro).

Ficou com água na boca?