Paladar

Arejar, sem perder a essência

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Arejar, sem perder a essência

20 novembro 2013 | 20:00 por Luiz Américo Camargo

Fiquei aqui remoendo palavras, buscando algum adjetivo que definisse a atual fase do AK Vila, que é o tema deste texto. Pensei em versátil, cogitei eclético. Mas fechei com arejado. O que não tem a ver, num raciocínio literal, com as mesas ao ar livre, logo na entrada. Nem com uma eventual suscetibilidade a modismos e ondas. É simplesmente uma abertura de espírito para mudar, incorporar novidades, perceber para onde sopra o vento. Mas sem perder identidade nem fugir da essência, que é servir boa comida.

Há três semanas, a chef Andrea Kaufmann inaugurou uma barraca de falafel, bem na porta do restaurante. O quitute é preparado na frente do cliente, para ser comido com pão pita (R$ 10) ou no prato (R$ 15). Tem ainda sanduíche de ovo (R$ 6) e de cordeiro (R$ 15), tudo montado na hora. Fora isso, até domingo, dia 24, o restaurante integra o evento SP Burger Fest, apresentando receitas como o cheese salada, feito de fraldinha (R$ 33), e o triplo porco (R$ 33), do qual gostei mais, com carne suína moída, costelinha desfiada e bacon. Restaurante Week? O AK também não teme, participando sempre com dignidade (na edição de setembro, o menu incluía opções como croquete de pato e picadinho de cordeiro). Além de manter, no almoço, um menu executivo a R$ 36.

AK Vila. Come-se bem, do falafel da barraca à refeição substanciosa. FOTO: Henrique Peron/Divulgação

O que não significa, por outro lado, que o restaurante esteja se convertendo numa lanchonete ou num bar para refeições leves e rápidas. Pois o cardápio regular guarda sugestões muito bem executadas, como as costelinhas de porco, assadas e grelhadas (R$ 36); o fidelini com camarão, lula e vieira (R$ 58), cozido al dente e levemente picante; o atum salteado com berinjela e tomate, servido rigorosamente vermelho em seu interior (R$ 74, um dos pratos mais caros da carta).

Sem falar das sobremesas, entre mais conhecidas, como o pudim de leite com doce de leite e flor de sal (R$ 15) e o pain perdu (R$ 12, em versão míni), e menos, como o escondidinho de goiabada e requeijão (R$ 13).

Em meio a mordidas no falafel e garfadas de fidelini, lembrei ainda de um comentário que Saul Galvão costumava fazer sobre o finado Massimo, quando o ristorante dos irmãos Ferrari ainda não tinha entrado em decadência. Uma das virtudes da casa, dizia ele, é que um grupo de amigos poderia ir ao restaurante, pedir coisas completamente diferentes entre si e todos comeriam bem. Guardadas as imensas diferenças de estilo e contexto, acho que o AK tem qualidade semelhante. Do sanduíche à massa, do cozido ao grelhado, do petisco à sobremesa, os pedidos são confiáveis. Não é pouca coisa.

Por que este restaurante?
Pela possibilidade de se comer bem em várias situações, de um lanche rápido a uma refeição mais substanciosa. E pela nova barraca de falafel, logo na entrada.

Vale?
Com um menu tão versátil como esse, as cifras gastas podem variar muito de pedido a pedido. É possível se satisfazer pagando preços camaradas, começando pelo menu executivo de almoço (R$ 36). Ou também desembolsar R$ 100 ou mais por cabeça, da entrada à sobremesa, sem bebida, pedindo pelo cardápio. Vale.

SERVIÇO – AK Vila
R. Fradique Coutinho, 1.240, V. Madalena
Tel.: 3231-4496
Horário de funcionamento: 12h/15h e 20h/0h (6ª, 12h/15h30 e 20h/0h30; sáb., 12h30/16h30 e 20h/0h30; dom., 12h30/16h30; 2ª, só almoço)
Cc.: A, M e V
Estac.: R$ 15 (ao lado)

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 21/11/2013

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