Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Armênia na cozinha

23 fevereiro 2014 | 22:58 por Luiz Américo Camargo

Minha última resenha, vocês devem ter visto, foi sobre o Chef Benon, simpática casa comandada por Benon Chamilian. Por conta da cozinha de inspiração libanesa, e por causa do bairro, a Vila Sônia, fiz uma rápida associação do pequeno restaurante com o Sainte Marie, de Stephan Kawijian. Rafael Mauaccad, leitor sempre atento do blog, apontou outra afinidade: os dois chefs têm origem armênia. Muito justo. E o que me fez lembrar ainda do saudoso Carlinhos, nascido Missak Yaroussalian, um sírio-armênio. Pelo jeito, eis aí uma mistura que resulta em bons cozinheiros. Mas aí uma coisa puxa a outra, o raciocínio vai e volta da Armênia… e lembrei de como são bem feitos e sinceros – para usar um termo afetivo – os pratos de estabelecimentos como a Garabed e a Effendi, decanos da modalidade em SP. Ou, dentro de um padrão quase fast-food, como são direitas as esfihas da Yerevan…

Bom, toda essa conversa de Armênia (país que eu não conheço, o que lamento) foi para citar que, para mim, uma das cenas de filmes mais tocantes envolvendo comida está em ‘Rua Paraíso’, de Henri Verneuil, com Omar Sharif e Claudia Cardinale. A obra mostra a trajetória de uma família armênia refugiada na França, tendo o menino Azad como personagem-central (tanto ‘Mayrig’, a primeira parte, como ‘Rua Paraíso’, sua continuação, são uma quase autobiografia do diretor). Num dado momento (a sequência é muito bonita), a família se reúne para fazer baclava, começando, obviamente, pela produção da massa. Deixo aqui um link com o filme completo. A dita cena começa aos 29 minutos e 20 segundos.

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