Paladar

Beato quer ser mundano

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Beato quer ser mundano

05 novembro 2014 | 17:11 por Luiz Américo Camargo

Os religiosos que me desculpem, mas não resisti à brincadeira do título. É só para expressar que o Beato, nascido em 2012, mudou radicalmente, sob a batuta de Alberto Landgraf. Os últimos meses, a propósito, foram de grandes movimentações para o chef. Simultaneamente, ele reformou o Epice, sua nave-mãe, e se tornou coproprietário do Beato, com os irmãos Bruno e Leonardo Ventre – agora, o trio divide a sociedade nos dois estabelecimentos.

Transformado no cardápio e no ambiente, o restaurante de Pinheiros ficou mais informal, com ares de bar gastronômico. Os pratos foram concebidos pelo chef, mas quem comanda a cozinha é José Félix Carvalho Júnior, até recentemente seu braço direito do Epice – de onde vieram vários funcionários, inclusive o barman Kennedy Nascimento.

Renovado. Beato ficou mais informal, com ares de bar gastronômico. FOTOS: Felipe Rau/Estadão

Cada item é descrito no menu por ingredientes e não pela preparação. Algo que, se por um lado, apresenta a matéria-prima como protagonista, por outro torna o cliente mais dependente das orientações dos garçons.
O almoço inclui o prato do dia, que muda sempre, e o couvert, com pão, azeite e, desde a semana passada, água da casa (à noite e no fim de semana paga-se R$ 10 pelo couvert e R$ 6 pela água à vontade). A fórmula custa R$ 39 e abarca sugestões como estrogonofe; lombo de porco com canjiquinha; e anchova grelhada com legumes. Receitas que, mesmo revisitando o trivial, demonstram o cuidado técnico e a meticulosa construção de sabor que têm feito a fama de Alberto Landgraf.

Pedindo pela carta, provei entradas apetitosas como o steak tartare (R$ 39, ótimo em textura, temperatura e tempero), preparado com carne dry-aged, e o polvo com vinagrete e maçã verde (R$ 28), com um interessante toque de dill. Principais muito bons, como a carne de panela com legumes e beiju (R$ 44) e a barriga de porco com purê de batatas e vagem (R$ 49). E snacks saborosos, mas diminutos, como o siri-mole com tucupi (R$ 39) e a untuosa mandioca na manteiga de garrafa (R$ 20).

Carne de panela com legumes e beiju

Em contrapartida há um lado do Beato que soa inconcluso. O serviço titubeia, na lida com as informações, no timing. O posicionamento da casa deixa o comensal em dúvida: considerando o despojamento geral e as porções mais para pequenas, é barato ou nem tanto? E a cozinha, que na média vai bem, incorre em deslizes ora mais de concepção, ora de execução. Entradas como a “ricota, ovo, cogumelos e castanha-do-pará” (R$ 22), e sobremesas como o pudim de leite (R$ 15, com queijo canastra e raspas de limão) e o pudim de tapioca (R$ 17) dão a impressão de ter ido a público antes de estarem plenamente resolvidas. Por fim, a trilha ambiente merece atenção: para quem gosta de rock, é coisa fina.

Por que este restaurante?
Pela nova fase da casa, agora com o chef Alberto Landgraf como sócio.

Vale?
A fórmula de almoço e a coquetelaria são boas pedidas. Para quem prefere ficar no vinho, há apenas uma opção em taça a R$ 27. Escolhendo uma refeição completa, a sensação é de que a relação entre preço e qualidade poderia ser melhor. Durante o dia, de terça a sexta-feira, o valet é cortesia. Vale conhecer.

SERVIÇO – Beato
R. dos Pinheiros, 174
Tel.: 2538-8105
Horário de funcionamento: 12h/14h30 e 20h/23h (6ª, até 0h; sáb., 13h/15h30 e 20h/0h; dom., 13h/16h; fecha 2ª)
Estac.: R$ 20 (grátis no almoço de 3ª a 6ª)
Ciclovia mais próxima: R. Artur de Azevedo

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