Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Bonita camisa…

26 junho 2013 | 18:38 por Luiz Américo Camargo

Não sei se Nello De Rossi, fundador da cantina Nello’s, poderia ser enquadrado num rótulo tão formal quanto restaurateur ou empresário. Era, na minha opinião, uma das figuraças da restauração paulistana, sempre presente no salão, sempre de olho no movimento. Ele morreu hoje, aos 91 anos ­– e você vê aqui mais informações.

Nello abriu seu restaurante em 1974. Foi para Pinheiros, numa época em que a maioria das casas italianas (de perfil trattoria/cantina) se concentrava ainda na Bela Vista. De maneira análoga, há dois anos, inaugurou uma filial na Vila Leopoldina, de olho no potencial da região. Na matriz, criou uma clientela fiel, nutrida à base de crostini, nhoque Rina e tartufo.

Lembro de vê-lo constantemente em ação, conversando com clientes, circulando pelas mesas, recolhendo obsessivamente das mesas latas vazias e guardanapos sujos. Era um bom contador de histórias – em especial sobre sua época de ator em Roma e em NY. (No Brasil, como se sabe, ele foi o protagonista daquele comercial de roupas, o da “bonita camisa, Fernandinho”, do início dos anos 80).

À sua maneira, sem pretensões, o Nello’s trouxe um ar novidadeiro para o panorama paulistano, à época de sua fundação. Não seguia a cartilha cantineira do Bixiga; não se apoiava essencialmente na culinária do eixo Calábria/Puglia/Campania; e, como estética, trocou o “Funiculi Funiculá” por uma aura de nostalgia da Cinecittà. Firmou-se, enfim, como um restaurante de bairro, de pratos simples e preços acessíveis – algo que, quem diria, parece se desenhar como tendência atual e dos próximos anos.

As duas unidades seguem em frente, tocadas pela família. Só que, agora, sem sua figura mais ilustre.

 

Ficou com água na boca?