Paladar

Bráz Trattoria: revisitando a Itália paulistana

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Bráz Trattoria: revisitando a Itália paulistana

18 fevereiro 2015 | 18:17 por Luiz Américo Camargo

A fórmula ficou manjada e se tornou ajustável a qualquer situação. Peço, então, desculpas pelo clichê, mas não resisto: o paulistano sai da cantina, mas a cantina não sai do paulistano. A associação que congrega a Cia. Tradicional de Comércio e o grupo Ici, conhecedora dos apetites de seus clientes, sabe disso.

Ao criar a Bráz Trattoria, levou o conceito a outro nível, dando uma volta a mais no parafuso da cozinha dos imigrantes. E compreendendo que esse mesmo público, com sua nostalgia idealizada de macarronadas e repastos festivos, não vai mais ao Bexiga, mas ao shopping.

Bráz Trattoria. Ruote alla norma foi a melhor, entre as massas provadas. FOTO: Luife Gomes/Divulgação

Isso não significa que a Bráz Trattoria, aberta no fim de 2014, seja uma cantina: seu cardápio reúne bem-humoradas revisões de clássicos e até algumas invenções, sempre com boa matéria-prima. Nem que pareça um restaurante de shopping (o Cidade Jardim, onde ocupa o último piso): seu projeto de ares contemporâneos poderia estar em qualquer metrópole. Capitaneada por Paulo Kotzent (Piselli, Santovino), a cozinha apresenta um repertório eclético, de salumeria a antepastos, de massas e pizzas a carnes e coisas do mar.
Gostei de entradas como o misto de mare (R$ 32, com camarão, lula e mexilhão), e os arancini (R$ 15); de antepastos como a berinjela sott’olio, a alicela (R$ 12, cada) – servidos, curiosamente, sempre com pouco pão.

As massas, com exceção do bom ruote alla norma (R$ 42), empolgaram menos. Particularmente o spaghetti do poverello (R$ 38), com cebola, aliche e ovo frito, onde pouco se percebia o sabor dos ingredientes; o mezze maniche à carbonara (R$ 49), com minipolpetas de pancetta, mais pesado e cansativo que uma carbonara tradicional; o zitti amatriciana de cordeiro, pancetta e peperoncino (R$ 52).
Os pontos mais altos? Carnes como a porchetta (R$ 48), deliciosa, com polenta e picles de erva-doce, e o cabrito à caçadora (R$ 68), de sabor profundo.

E a pizza, com todo seu ritual: eu sugiro que você se acomode no balcão e acompanhe a feitura dos discos, para recebê-los diretamente do forno – o que vale inclusive para o serviço do almoço. A massa é preparada com fermento natural, a partir de experiências recentes da rede Bráz.

As receitas não necessariamente se apegam aos cânones napolitanos, mas são, antes de tudo, a junção de um pão de primeira, digamos assim, com ótimas coberturas, o que vale tanto para a trivial muçarela (R$ 32 e R$ 53) como para opções como a cacio e pepe (R$ 40 e R$ 68).

O lugar, desde a inauguração, está sempre cheio. O nível de ruído no ambiente é alto e o serviço, amável, exagera na presença: há sempre alguém perguntando se o prato está bom, se tudo vai bem… E não foi excesso de atenção com o crítico: eu observei nas mesas próximas e soube pelos relatos de amigos. Em suma, o programa é divertido mas, em vista dos talentos reunidos, pode melhorar.

Por que este restaurante?
Porque é uma novidade interessante.

Vale?
A conta vai depender de seu entusiasmo com o menu, que é sedutor. Na média, um refeição completa sai por volta de R$ 100, sem bebidas. Vale conhecer.

SERVIÇO | Bráz Trattoria
Onde: Shop. Cidade Jardim, 4º piso (Av. Magalhães de Castro, 12.000)
Tel.: 3198-9435.
Quando: 12h/15h30 e 18h/23h (6ª, até 0h; sáb., 12h/17h e 18h/0h; dom., 12h/17h e 18h/22h).
Ciclovia mais próxima: Av. Magalhães de Castro/Marginal

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 19/2/2015

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