Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Carvão, cortes e muita guarnição

04 junho 2014 | 21:08 por Luiz Américo Camargo

O novo Carbone, dedicado especialmente às carnes, fica bem em frente ao português Quinta de Santa Maria, no Alto da Lapa. Comento isso porque, agora, numa faixa de poucos metros da Rua Cerro Corá, concentram-se as opções mais confiáveis da região, ainda carente de restaurantes (incluo na exígua lista o Mangiare, a 3 km dali). No dia a dia, quem comanda a casa é o chef e sócio Claudio Aliperti. O cardápio, porém, foi elaborado pelo chef Carlos Bertolazzi, do Zena e do Per Paolo, também proprietário (ao todo, são três donos) e quase sempre ali desde a inauguração, há um mês.

Brasa. O salão do Carbone tem ar rústico e acomoda até 120 pessoas. FOTO: Henrique Peron/Divulgação

O centro nervoso da churrascaria (que mais lembra um bar) é seu forno Josper, um equipamento a carvão fabricado na Espanha e já usado em endereços como o Attimo e o Maní. É dali que saem cortes – de gado black angus – como o suculento bife de chorizo (R$ 76) e o prime rib (R$ 95, para dois), o contrafilé de costela, com ótimo marmoreio de gordura. Mas, afinal, o que faz o tal forno? Concilia uma boa caramelização externa com textura interna delicada (ou seja: é churrasco para quem prefere poupar os maxilares de maiores esforços). O menu, majoritariamente bovino, inclui crustáceos, pato, porco – a farta porção de linguiças (R$ 22), com três variedades, uma delas de cordeiro, funciona bem como entrada.

Uma vez escolhida a proteína, as guarnições são servidas em sistema de rodízio. Incessantemente, diga-se. Há pedidas mais seguras, como as batatas rústicas, o feijão tropeiro, o cassoulet. E outras menos interessantes, como o purê trufado de mandioquinha. Entre as massas provadas, em três visitas, a preferida foi o nhoque, leve e de sabor delicado. E realmente não me afinei com o molho de tomate da casa, quase indefinido entre o frescor e o apuro. Observando os comensais ao redor, a fartura de acompanhamentos parece agradar. A questão, porém, é que a abundância acaba desviando a atenção dos grelhados, que são competentes.

Em certos momentos, o desfile de massas, risotos e outras sugestões pode ser atordoante. Por vezes, surgirão dois garçons de uma vez. À sua esquerda, querem saber se você quer mais uma cerveja; pela direita, se aceita o ravióli. E você, que ainda por cima está mastigando, o que faz? Avalia, decide se está mais com sede ou com fome, atende um, depois o outro… Parece claro que o esquema de serviço é esse, sem grandes possibilidades de manobra. Mas poderia melhorar, se a abordagem de blitzkrieg fosse atenuada.

Por que este restaurante?
É uma novidade, numa região que ainda é carente de restaurantes. Pelas boas carnes.

Vale?
Durante a semana, o almoço executivo custa R$ 39. À la carte, todos os cortes incluem as guarnições do dia. Como o preço do item principal varia de R$ 42 (o hambúrguer) a R$ 130 (a lagosta), a conta pode oscilar bastante. Na média, a refeição completa sai em torno de R$ 100 por pessoa, sem bebidas. Também é possível comer só as guarnições, o que custa R$ 39. Vale conhecer. Especialmente para quem mora nas imediações do Alto da Lapa.

SERVIÇO – Carbone
R. Cerro Corá, 1.556, Alto da Lapa
Tel.: 2935-0266
Horário de funcionamento: 12h/15h e 18h30/0h (sáb., almoço até 17h; dom., 12h/17h)
Cc.: todos
Estac.: manob. R$ 10 e R$ 15 (jantar)

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 5/6/2014

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