Paladar

Comida caseira okinawana

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Comida caseira okinawana

22 maio 2013 | 23:00 por Luiz Américo Camargo

O Oishiisa é simples como uma lanchonete e, em sua despretensão, lembra mais um pequeno refeitório para comida caseira que um empreendimento profissional. Não tem formalidades nem carrega na ambientação à japonesa. Sua localização também é fora do eixo mais badalado da cidade: fica numa esquina da Rua Bom Pastor, no Ipiranga. Um bairro que, a meu ver, sofre do estigma do “falso longe” – pois está a oito quilômetros do marco zero da Sé, o mesmo que o Itaim Bibi.

Comandado por Meire Tchitose Sanabe, profissional que se dedica há anos a difundir as tradições culturais de Okinawa, terra natal de seus ancestrais, o Oishiisa só funciona no almoço. Serve poucos pratos, todos quentes, sempre de perfil trivial, com preços por volta dos R$ 20 – no geral, honestos e feitos com capricho. Não trabalha com sushis e sashimis. Contudo, apresenta receitas tipicamente okinawanas (fazendo jus ao costume regional de aproveitar o porco nos mais variados cortes) todo santo sábado. E esse é mesmo o melhor dia para visitar a casa.

Comida simples e honesta e receitas de Okinawa aos sábados. FOTO: Felipe Rau/Estadão

Se o Ipiranga soa fora de mão para quem não vive nos arredores, eu recomendaria um programa casado. E aproveitar o deslocamento para (re) visitar lugares como o Museu Paulista (do Ipiranga, para os íntimos), o Museu de Zoologia, o Aquário… Contudo, acho que a exígua lista de especialidades do Oishiisa compensa o passeio. Assim como a cordialidade da anfitriã, capaz de explicar os pratos nos mínimos detalhes e acolher com muita simpatia.

A refeição pode começar com uma porção de mimiga, a orelha de porco em conserva, cortada finamente – mas de modo a preservar uma textura crocante. Seguir com o goyá champuru, feito com o amaríssimo melão-de-são-caetano (ou goyá) cozido e refogado com ovo e tofu. E terminar com o soki sobá, a massa com costelinha suína e gengibre ralado, num generoso caldo de porco e frango. No primeiro sábado de cada mês (ou sob encomenda), a casa prepara o ashitebichi, o cozido com pé de porco, alga kombu e vegetais.

É uma pena que os pratos de Okinawa do pequeno restaurante sejam servidos apenas aos sábados. Felizmente, é possível encontrá-los quase todos os dias em endereços como o Deigo, também dedicado à culinária da mais meridional das províncias nipônicas – pois goyá, soki sobá, joelho de porco e outras especialidades estão sempre no cardápio. Já no que diz respeito à hospitalidade de Meire Tchitose Sanabe e sua pequena brigada, eu diria que não tem jeito: só tem mesmo lá, no Oishiisa.

Por que este restaurante?
Para sair do usual. Porque é um lugar de comida simples e honesta, com destaque para os pratos da cozinha de Okinawa.

Vale?
Come-se pagando entre R$ 20 e R$ 30. Dá até para deixar o carro em casa e ir de metrô, descendo na estação Sacomã (alertando, porém, para uma caminhada de 500 m, com subida). Vale, lembrando que é mais para um almoço japonês caseiro do que para uma “refeição-enquanto-programa-social”.

SERVIÇO – Oishiisa
R. Bom Pastor, 2.302, Ipiranga
Tel.: 2129-6731
Horário de funcionamento: 11h30/15h (Fecha dom.)
Cc.: todos

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