Paladar

Comida de bar, comida de casa

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Comida de bar, comida de casa

25 fevereiro 2015 | 20:14 por Luiz Américo Camargo

Foi num izakaya de Kyoto, entre petiscos e doses de shochu e saquê, que me foi ensinada a lição: você não deve abastecer o próprio copo, pois não é educado. Quem faz isso é seu parceiro de balcão. Também foi ali que aprendi que, a bem da fluidez do serviço, é adequado pedir o primeiro trago logo ao sentar. A comida, escolhe-se depois. Afinal, izakaya é pub, é boteco (ainda que com nuances de estilo, do simples ao mais chique), mas tem seus códigos.

Em suas versões brasileiras, difundidas com mais força nos últimos anos, os bares nipônicos adaptaram-se às condições locais e abraçaram várias vertentes – incluindo até sushi, algo pouco usual no Japão. Já o ainda novo Izakaya Matsu, aberto em Pinheiros, envereda pela essência: ambiente despojado, com um balcão confortável (e uma só mesa); atendimento e preços camaradas; preparações de perfil caseiro, sem ecletismo exagerado, mas refletindo a diversidade do cotidiano à japonesa, com frituras, macarrão, cozidos.

Izakaya Matsu. No balcão, massas, frituras e pratos simples, de perfil caseiro. FOTO: Gabriela Biló/Estadão

O Matsu é comandado por Lucio Ouba, filho de Margarida Haraguchi, do Izakaya Issa, e Masanobu Haraguchi, do Ban. Obviamente, há afinidades entre os três estabelecimentos, em especial no cardápio. A nova casa de Pinheiros, contudo, une o perfil de bar com o de restaurante para almoços rápidos: ao meio-dia, imperam os teishokus, os PFs, limitados a 25 porções por dia. Cada kit custa R$ 35 e inclui um item principal (que pode ser contrafilé empanado, lombo de porco com gengibre, etc.), sempre variável, mais arroz, conservas, misoshiru e abacaxi para a sobremesa. Uma refeição umami, no melhor dos sentidos: apetitosa.

À noite, vale o menu mais tradicional, com entradas, tira-gostos e pratos. Entre as otoshis, prove a salada de batata com maionese, azedinha no limite certo; as infalíveis bardanas, à maneira do Issa, a casa mãe. E pratos como o tempurá udon (repare no ponto do camarão e na qualidade do caldo). Ou o hambúrguer, muito gostoso, servido no prato (há três variantes), bem temperado, compacto, um respiro diante das tantas propostas mistificadoras (não, eu não vou usar aquela palavra com “g”) que andam em voga pelo País. Ou ainda o curry rice, com arroz delicioso, molho encorpado, mas sem desequilíbrios, e legumes em admirável cocção, tenros e crocantes no centro.

Ao mesmo tempo que é informal, o lugar tem seus regulamentos. Se você está sozinho, ou em dupla, pode se acomodar na mesa, se houver assento livre. Caso chegue um grupo maior, você vai precisar ceder sua cadeira e mudar para o balcão, assim que surgir vaga. Eu não vejo problema, até porque tudo é conduzido com simpatia, mas acho importante avisar, pois tem gente que se incomoda. É possível reservar, mas só acima de três pessoas, e na referida mesa.

Por que este restaurante?
Pela cozinha japonesa de bar, de acento caseiro.

Vale?
O teishoku de almoço custa R$ 35. A maioria das sugestões fica entre R$ 20 e R$ 30. A maior despesa é com a bebida: há uma razoável oferta de saquê e shochu. Vale.

(PS: Há no mercado um livro muito interessante sobre o tema, Izakaya – Por dentro dos botecos japoneses, de Jo Takahashi, sobre o qual já tratei aqui)

SERVIÇO – Izakaya Matsu
Av. Pedroso de Moraes, 403, Pinheiros
Tel.: 3812-9439
Horário de funcionamento: 11h30/14h30 e 18h30/23h30 (fecha dom.)
Cc.: todos
Estac.: não tem
Ciclovia mais próxima: R. Artur de Azevedo
Metrô: Fradique Coutinho (700 m)

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 26/2/2015

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