Paladar

Coreia bucólica na SP introvertida

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Coreia bucólica na SP introvertida

02 outubro 2013 | 22:30 por Luiz Américo Camargo

Tenho para mim que, para além do fator humano, é a maneira de lidar com o espaço que determina a personalidade de um bairro. Uma identidade que surge não só do tipo de imigração e da circulação do dinheiro, mas do jeito de se adaptar ao relevo, de se comunicar com outras regiões. E, num assumido exercício de achismo, defendo que o fato de ter se formado numa baixada, espremida entre o Paraíso, a Liberdade e o Cambuci, e em torno de um parque, fez da Aclimação um povoado algo bucólico, de temperamento introvertido.

Visitar o BiCol (o nome significa “cidade de luz”), por sua vez, é quase ir à essência do vilarejo. O restaurante ocupa uma casa de esquina, numa praça redonda e arborizada. Não tem manobrista (mas tem parquinho infantil na entrada) e atende, essencialmente, a comunidade coreana, numerosa na vizinhança. O que não significa impossibilidade de comunicação para quem não pertence à colônia: os atendentes são brasileiros e sabem explicar como é o esquema.

Passeio. Refeição no BiCol vale como vivência urbana fora da rotina. FOTO: Alex Silva/Estadão

O cardápio é relativamente extenso e pode soar obscuro para os novatos. Na dúvida, comece pelos carros-chefes da casa. Como a porção de guioza frito (R$ 40, contendo 20 unidades), com delicados pasteizinhos recheados de legumes, sutilmente dourados por fora. E entretenha-se com as banchans, as pequenas entradas que acompanham a maioria dos pedidos, destacando o incontornável kimchi, a jeon (panqueca com cebolinha), brotos de feijão e vários outros vegetais refogados e em conserva.

O dorsot bibimbap é apresentado como um prato individual (R$ 35), mas dá para dois com tranquilidade: numa panela de pedra, arroz, vegetais, carne bovina e, por cima, um ovo frito com gema bem mole, se acomodam harmoniosamente. O bulgogui (R$ 75, para dois), o churrasco da Coreia, por sua vez, é preparado com contrafilé cortado em pedaços finíssimos. Como manda a tradição, a cocção é feita à mesa, sobre o phan, a calota metálica que é aquecida por baixo, e fica sob o controle dos comensais. Compartilhar a carne e suas guarnições, enrolando as porções em folhas de alface, e sair do restaurante com a roupa levemente defumada, portanto, são parte da aventura.

Entre as opções de bebida, a melhor é o soju, versão coreana do shochu japonês, porém menos alcoólica e levemente frisante (a garrafa de 375 ml custa R$ 26). Para a sobremesa, nunca falta melancia e, na saída, tem chá de canela, bem adocicado. Típico e não necessariamente bom.

Não estou dizendo, enfim, que você irá ao BiCol para uma inesquecível refeição gastronômica. Estou propondo uma vivência urbana fora da rotina, com direito a comer bem e fartamente, saindo do esquema badalação/valet/hostess. E com possibilidade de um footing final no quase vizinho Parque da Aclimação, para ajudar na digestão. São Paulo ainda abriga essas surpresas.

Por que este restaurante?
Porque é um bom endereço para pratos coreanos tradicionais.

Vale?
É possível dividir a maioria dos itens. Sem bebida, e compartilhando pratos, gasta-se em torno de R$ 50 por pessoa. Vale, inclusive pelo passeio.

SERVIÇO – BiCol
Pça. General Polidoro, 111, Aclimação (Fica a 15 min. a pé do metrô Paraíso)
Tel.: 3207-9893
Horário de funcionamento: 11h30/14h30 e 17h30/21h (sáb. e dom. 11h30/15h e 17h30/21h; fecha 3ª)
Cc.: A, M e V

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 3/10/2013

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