Paladar

De petiscos e pratos

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

De petiscos e pratos

20 fevereiro 2013 | 20:35 por Luiz Américo Camargo

É bar ou é restaurante? Sei que esse tipo de questão é frequente e, em certos casos, acaba virando uma espécie de enigma/estigma para alguns estabelecimentos. De fato, a dúvida tem lá sua procedência. Especialmente do ponto de vista da escolha do programa. Porém, no que diz respeito à gastronomia, não acho que seja tão relevante. Alguém realmente se importa em definir o que são, digamos, o Mocotó ou o Dona Onça? Comida boa, creio, supera dualidades e rótulos. A coluna da semana aborda dois autodeclarados bares que servem refeições – e que podem ser interpretados, quem sabe, como restaurantes com alma de bar. Lugares que, cada qual a seu modo, tratam com capricho o trivial do almoço e lançam um olhar arejado sobre petiscos e pratos.

É pub? No Cão Véio, ambientação à inglesa e adereços “caninos”. FOTO: JF Diorio/Estadão

Cão Véio. Os interessados por rock, cachorros e tatuagens vão se sentir à vontade na nova casa de Henrique Fogaça, do Sal. O que não significa que o Cão Véio, em Pinheiros, com atmosfera de pub e decoração divertidamente “canina”, discrimine algum tipo de público. No almoço, o cozinheiro (e também sócio, junto do músico Badauí e o promoter Kichi) prepara um menu executivo a R$ 42, com em torno de quatro alternativas de pratos. Coisas como picadinho de filé, ravióli integral de ricota e alho-poró e outras, no geral bem executadas.

Depois das 16h, o cardápio muda. Saem os pratos feitos, entram as porções. E aí é que se reconhece melhor o estilo de Fogaça. São sugestões (entre R$ 20 e R$ 25) como a costelinha de porco assada, tenra e picante, a pescada frita com batata doce, o bolinho de arroz. Petiscos que revelam o destemor do chef com o sal, com os condimentos, e sua predileção pelos sabores potentes. Um conjunto que não faria feio, vá lá, no cardápio dos modernos gastropubs londrinos. Para enfrentar tanta pujança, só mesmo com cervejas parrudas. Uma dica? A indian pale ale de nome mais apropriado da carta: a escocesa Punk.

Dgé. O nome da casa, que ocupa o mesmo ponto que já foi do Bola Preta, no Jardim Paulista, vem do apelido do chef e proprietário, Rogério Maldonado. Formado em engenharia e marketing, ele enveredou pela restauração – primeiro, como dono de lanchonete; depois, estudando gastronomia. Maldonado estagiou, entre outros lugares, na Osteria Francescana, de Massimo Bottura, em Módena. Mas a proposta de seu bar/restaurante é oferecer pratos e petiscos simples, com bons ingredientes e acento mais para brasileiro.

No almoço, a fórmula de R$ 35 (com entrada, prato principal e sobremesa) inclui sugestões que mudam de segunda a sexta. Os pratos podem ser filé à parmigiana ou mesmo o peixe fresco do dia, como a cavalinha com molho de tomate. (A partir deste sábado, tem também feijoada, a R$ 30.)

À noite, há boas pedidas como o escondidinho de músculo (R$ 18), a delicada lasanha de berinjela (R$ 23) e a barriga de porco à baixa temperatura, servida com couve e farofa de biju (R$ 39). Tudo preparado sem grandes complicações, privilegiando a leveza. Mal comparando, se o Cão Véio é rock vigoroso, o Dgé é pop assobiável.

Por que estes restaurantes/bares?
Por que são boas novidades.

Valem?
Valem. O Cão Véio à noite, em especial.

SERVIÇO

Cão Véio
R. João Moura, 871, Pinheiros
Tel.: 4371-7433
Horário de funcionamento: 12h/0h (fecha dom.)
Cc.: D, M e V

Dgé
Al. Campinas, 1.021, Jd. Paulista
Tel.: 3051-7643
Horário de funcionamento: 12h/15h e 19h/1h (2ª, só almoço; fecha dom.)
Cc.: todos

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