Paladar

De petiscos, massas e ragus

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

De petiscos, massas e ragus

10 dezembro 2014 | 20:33 por Luiz Américo Camargo

O tema de hoje é a Maremonti, mas que o leitor fique tranquilo: não vou falar novamente de pizzas. Margueritas e afins já foram assunto na coluna anterior, com a nonagenária Castelões. Vou tratar do lado trattoria da Maremonti (que segue assando seus discos à noite), e, mais especificamente, da filial inaugurada há um mês na região da Vila Olímpia.

A nova unidade (a terceira, na capital) ocupa uma bela construção em vidro e madeira, dentro de um condomínio igualmente recém-inaugurado. Seu menu contempla um painel variado da cozinha de inspiração italiana, com algumas preparações que buscam um sotaque regional e outras que provavelmente não fariam parte de um receituário mais ortodoxo (caso do polpettone com fettuccine alfredo). O comando da rede é do restaurateur Arri Coser, também à frente do NB Steak, com supervisão de cardápio do chef francês Pascal Valero.

Certeiro. Pappardelle com ragu napolitano foi a melhor massa provada. FOTO: Felipe Rau/Estadão

Gostei de petiscos como os arancini (R$ 29), os bolinhos de arroz de origem siciliana; e das olive ascolane (R$ 29), as azeitonas verdes recheadas de linguiça e empanadas. As duas porções são apetitosas e bem fritas (por questão de equilíbrio e de mordida, creio que as azeitonas ficariam melhores com exemplares mais graúdos). Contudo, me parece que as massas se afirmam como as melhores escolhas.
O ravióli de costela com molho de cogumelos (R$ 48) é leve e bem construído. O nhoque com ragu de carne bovina (opção do executivo de almoço) é farto sem ser grosseiro. O pappardelle com ragu napolitano (R$ 49, mais uma vez, à base de carne de boi) foi a melhor massa entre as provadas. O rigatone genovese (R$ 48), com ragu de costela suína e cebola caramelizada, por sua vez, tem sabor expressivo, mas talvez peque por uma doçura que me pareceu mais procedente de adição de açúcar do que da própria cebola. A mais fraca delas foi o linguine ao vôngole (R$ 49), carente de frescor e vivacidade. Todas chegaram à mesa al dente – e em
ocasiões diferentes.

Numa casa com evidentes afinidades com a carne, é curioso que duas pedidas não tenham entusiasmado tanto. Nem a milanesa (R$ 57), feita com filé mignon, apenas razoável; nem a paleta de cordeiro assada (R$ 69), servida com batatas e brócolis, um tanto destituída de personalidade: não incorpora os excessos do estilo cantineiro nem deriva para uma abordagem mais refinada.

Se a pasta, ainda que com uma ou outra oscilação, já demonstra um senso de padrão, falta ainda acertar o passo da brigada de serviço, simpática e prestativa. Nem todos conhecem o cardápio, a ponto de passar informações divergentes para os comensais. Já as sobremesas, à maneira do que Pascal Valero tem feito na NB Steak, são confiáveis. O que inclui standards como tiramisù e panna cotta com calda de frutas vermelhas.

Por que este restaurante?
Porque é uma novidade. Porque é mais uma alternativa de cozinha de inspiração italiana na Nova Faria Lima.

Vale?
O menu de almoço custa R$ 49. Pela carta, gasta-se entre R$ 100/120 numa refeição completa, sem bebidas. Vale.

SERVIÇO | Maremonti
Onde: Av. Brig. Faria Lima, 4.300, V. Olímpia, 3842-3449.
Quando: 12h às 15h30 e 18h às 0h (sexta, até 1h; sábado, 12h a 1h; domingo, 12h a 0h).
Manobrista: R$ 20.
Ciclofaixa: Av. Brig. Faria Lima aos domingos.

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 11/12/2014

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