Paladar

Em obras. Mas o Maní de sempre

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Em obras. Mas o Maní de sempre

04 dezembro 2013 | 21:22 por Luiz Américo Camargo

Não pude me despedir de um dos pratos mais instigantes da cidade. Estou falando do maniocas, que fez parte do repertório do Maní nos últimos seis anos e acabou de sair do cardápio. Seria esse só mais um ajuste num restaurante acostumado a inovar? Eu acho que vai além. Estabelece uma mudança de fase. O Maní fecha no dia 23 para uma reforma que vai até março. Mas não fica fechado todo esse tempo: almoços e jantares serão retomados em 7/1, no Manioca, na porta vizinha.

A revisão do menu, por outro lado, já vinha acontecendo. Vários itens entraram, outros saíram. Como o já choramingado maniocas. Descendente do gargouillou de jeunes légumes de Michel Bras, forjado na nueva cocina espanhola, nascido em território nacional, o prato, com tubérculos, brotos e tucupi apontava para uma cozinha brasileira rigorosa, moderna e saborosa. Agora é passado, o que não é problema. Uma das qualidades do Maní é dar a impressão constante de que o melhor está sempre por vir.

Reforma. Maní fecha no dia 23, mas volta funcionar em 7/1 no Manioca. FOTO: José Patrício/Estadão

Entre a abertura, em 2006, e o momento atual, o restaurante viu seu status mudar de forma vertiginosa, de endereço promissor a referência internacional. Mas a essência permanece: Helena Rizzo e Daniel Redondo estão sempre na cozinha, pesquisando e apresentando pratos com margem de acerto sem paralelo. Os novos pratos seguem a mesma linha. O escondidinho de carne-seca (R$ 38), preparado a partir da técnica da esferificação, e o tutano (R$ 42) com falso osso de pupunha são entradas que, mesmo enganando os olhos, são autoexplicativas a partir da primeira garfada. O arroz de frango com quiabo (R$ 66) mistura os arroces caldosos à espanhola com o acento mineiro. A costelinha com canelone de pé de porco (R$ 76) é uma ode à versatilidade suína. O fideuá – massa fina e curta típica da região valenciana – com lagostim (R$ 74) revela o destemor dos chefs em levar à mesa um crustáceo deliciosamente ao ponto.

Enfim, novidades como essas, às quais acrescento o mil-folhas com sorvete de lírio-do-brejo, me fazem pensar que visitar o Maní se tornou mais do que a certeza de uma refeição sem reparos. É quase uma forma de renovar a fé na gastronomia de São Paulo.

Por que este restaurante?
Porque é um dos melhores do Brasil e passará por uma reforma que deve terminar em março (a casa reabre em 7 de janeiro, no vizinho Manioca). Pelos pratos novos.

Vale?
Seja pela carta, ou pelo menu temporada, em cinco tempos, a R$ 175, vale.

SERVIÇO – Maní
R. Joaquim Antunes, 210/212
Tel.: 3085-4148
Horário de funcionamento: 12h/15h e 20h/23h30 (5ª e 6ª até 0h; sáb., 13h/16h e 20h30/0h30; dom., só almoço, 13h/16h30; fecha 2ª)

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 5/12/2013

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