Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Faz por menos?

09 agosto 2009 | 17:12 por Luiz Américo Camargo

Eu não gosto muito de pratões. Ora de forma mais direta, ora menos, eu periodicamente falo sobre este tema por aqui. Prefiro não ter à mesa aquele monte de comida que, em pouco tempo, mudará sabor e textura: vai esfriar, perder o viço, solidificar eventuais gorduras etc. O pratarraz de carne grelhada, para mim, é o melhor exemplo. Por que eu vou querer comer sozinho um contrafilé (ou picanha e que tais) de 400 ou 500 g sendo que, depois da quinta ou sexta garfada, já não estará tão gostoso?

Prefiro compartilhar o corte. E depois peço outro, que será igualmente dividido. E assim por diante. Cem gramas sobre o prato? Parece mais razoável. Mas não estou falando apenas de churrasco. Quando posso – quando a proposta do restaurante permite – , procuro também rachar porções. Assim consigo também pedir uma entrada, uma sobremesa. Sem sair estourando do restaurante.

Está certo que minha dificuldade com as quantidades tamanho-família tem a ver com o fato de eu trabalhar comendo – acreditem, isso cansa, ainda que seja muito bom. Mas eu nunca fui mesmo do prato cheio (prefiro repetir, se for o caso). E, radicalizando, quer coisa mais civilizada (tanto no ritmo quanto na dosagem) do que a refeição no balcão de um bom sushiman?

O que vou dizer não é regra geral, mas uma observação da média: há muitos restaurantes trabalhando com porções além do razoável. A ponto de não serem comidas até o fim (e a ponto de sacrificar a sobremesa). Já perguntei em vários lugares e até sugeri, no caso daqueles que extrapolam: por que não servir um pouco menos, e cobrar também um pouco menos? A resposta, em geral, é que a clientela reclama. O público quer aquela montanha de comida, se não fica injuriado.

Ok, cada um sabe o tamanho de seu apetite. Mas eu realmente fico intrigado com alguns comportamentos: qual a necessidade de ter à frente uma ‘travessa’ suficiente para satisfazer o dobro de pessoas sentadas à mesa? Algum trauma de infância? O medo de ser lesado na hora da conta? Ou simplesmente o olho maior do que a boca, como diziam nossos avós?

É evidente que não estou me referindo aos restaurantes que servem pratos de massa com ‘doze’ gnocchi ou seis ravióli, para ficar num exemplo. Mas falo de quem exagera na composição do principal com sua (s) guarnição (ões).

Não sendo um menu-degustação (onde as coisas já vem reduzidas), nem sendo um prato indivisível (daqueles cuja unicidade é parte da proposição do cozinheiro), eu cada vez mais me sinto à vontade para perguntar: dá para fazer menor? Ou rachar? Assim, não me empanturro e pago um pouco menos – esta tem de ser a contrapartida, obviamente.

Ficou com água na boca?