Paladar

Germânia do sul (de SP)

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Germânia do sul (de SP)

17 abril 2013 | 23:30 por Luiz Américo Camargo

É um programa meio fora de padrão, no bom sentido. Fora do tempo, até. Você vai até a Chácara Santo Antônio, passa pela portaria do Club Transatlântico, avança até o prédio principal e aí chega ao Weinstube. Servindo standards da culinária alemã desde 1991, o restaurante vem buscando abrir as fronteiras nos últimos meses. Ampliou instalações, passou a funcionar aos sábados e a tratar com mais dinamismo as sugestões de seu cardápio.

É verdade que a referida reforma não torna a circulação muito simples, já que agora são quatro ambientes. E que o décor de flat da virada dos 1980 para os 90 também permanece. Mas a boa acolhida aos visitantes ameniza o estranhamento. Durante a semana, o público é formado pela comunidade germânica e por quem trabalha na região. Aos sábados, a colônia assume a maioria dos assentos e devota-se com fidelidade teutônica (perdão, não resisti) aos clássicos da casa – sim, eu reparo nas outras mesas, até onde a vista alcança.

Boa acolhida. Casa ampliou as instalações e agora abre aos sábados. FOTO: Felipe Rau/Estadão

A cozinha do chef César Nascimento não ignora o repertório que os imigrantes do século 20 ajudaram a tornar quase brasileiro honorário, como paprikaschnitzel e afins. Mas vai além do óbvio. E o cozinheiro se sai bem em especialidades como a salada de arenque (R$ 25), com o peixe muito bem preservado em textura e sabor. Num bom mix de salsichas (R$ 41) com batatas sautées. E no pato assado à moda germânica (R$ 66), servido com spatzle, repolho roxo e purê de maçã – tenro, atraente no conjunto, mas deslizando num detalhe, a qualidade do vinho usado na receita.

Aos sábados, o Weinstube assa a flammkuchen (R$ 19), uma prima alsaciana da pizza, feita com coberturas como coalhada, bacon e cebola. E apresenta um reforçado chucrute garni (R$ 90), com joelho e lombo suínos, picanha bovina cozida, salsichas, batatas, vagens e, claro, repolho. O menu indica para dois ou três comensais; dá para quatro.

A brigada de salão, por sua vez, não deixa de ser afável nem quando o idioma quase gera questões gastrodiplomáticas. Uma família alemã, ao lado, queria comer heisse liebe como sobremesa. A garçonete pediu desculpas, disse que não tinha. “Como não? É tradicional, sempre teve.” Avançando na conversa, eles descobriram que o doce – sorvete com calda quente – estava, sim, na carta. Só que candidamente traduzido para paixão ardente (R$ 19). Tudo em paz.

Há semanas, falei aqui de restaurantes de bairro e de uma certa tendência para o “regional”. Nessa linha, é curioso notar que a Chácara Santo Antônio se afirma como polo de dicas confiáveis. Tem lá sua ala ibérica, com Maripili, La Parrilla e Tonel; um enclave alemão, como condiz com a área, com Weinstube, Lukullus, Vilas Erich; endereços já mais conhecidos, como o Moinho de Pedra e a Frangaria, entre outros. Nada, nada, ainda que sem badalação, é uma cena gastronômica, por que não?

Por que este restaurante?
É uma boa opção “de colônia”, que agora abre aos sábados.

Vale?
As entradas e sopas ficam por volta dos R$ 20. A maioria dos pratos custa em torno de R$ 40 e muitos são partilháveis. Vale o passeio.

SERVIÇO – Weinstube
R. José Guerra, 130, Chácara Santo Antônio
Tel.: 2133-8600
Horário de funcionamento: 12h/15h e 18h/22h30 (Fecha dom.)
Cc.: todos
Estac. c/ manob.: R$ 8 a R$ 14

>> Veja todas as notícias da edição do Paladar de 18/4/2013

Tags:

Ficou com água na boca?