Paladar

Harmonia entre sala e cucina

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Harmonia entre sala e cucina

21 maio 2014 | 21:53 por Luiz Américo Camargo

Seja no almoço ou no jantar, não anda lá muito fácil encontrar mesa no Loi Ristorantino. A casa comandada por Salvatore Loi e por Ricardo Trevisani abriu há 40 dias e, mesmo no meio da semana, o movimento é intenso. O público, você tem sempre a impressão de que conhece de algum outro lugar: Fasano, Piselli… Alguns chegam sem carro, saindo dos prédios da R. Melo Alves e arredores, o que dá ao Loi – vou exagerar – quase uma aura de estabelecimento de bairro.

Em comparação com o antigo ocupante do imóvel, o Domenico, as mudanças físicas nem foram tão radicais. No entanto, o restaurante ficou totalmente diferente. E, quase tão importante quanto a comida do chef famoso, creio que boa parte da identidade do Loi vem do serviço. Do porteiro até o funcionário que traz a conta, o atendimento é extremamente polido. Profissional com anos no Grupo Fasano e, até poucos meses, sócio da Maremonti, Trevisani controla o salão no detalhe, mas faz isso com leveza, pois conhece a fronteira entre servir bem e assediar (para usar uma expressão de Jay Rayner, crítico do Observer). Tem, em suma, a vocação do restaurateur, uma espécie ameaçada de extinção.

40 dias. Nova casa marca nova fase do chef italiano Salvatore Loi. FOTO: Fernando Sciarra/Estadão

Salvatore Loi notadamente vive uma nova fase de trabalho. Ficaram para trás as jornadas mais solenes de Fasano e já parecem um tanto distantes os dias ainda recentes de Girarrosto. Eu arriscaria dizer que até seu perfil de sabor está diferente. Aqui e ali surgem notas doces, seja no queijo de cabra com compota de tomate do couvert (R$ 12), ou em massas como o culingione (a massa de sêmola e sem ovos, recheada com ricota e limão-siciliano, R$ 58), ou mesmo nos amuse-bouches que mudam diariamente. Percebe-se uma acidez mais presente, uma busca por contrastes que não transparecia tanto em outros tempos.

Depois de três visitas, em semanas e circunstâncias diferentes, eu definiria a experiência – tratando apenas do que vai no prato – como boa, com momentos muito bons. Gostei do espaguetini com bacalhau (R$ 63), de molho intenso, sem medo do sal nem da faceta “piscosa” do gadus morhua; do tenro e intenso cabrito recheado com linguiça (R$ 79); do macio e aromático polvo com arroz integral (R$ 95). Por outro lado, o tímido molho de tomate e, principalmente, o cuscuz marroquino com frutos do mar (R$ 62) me pareceram abaixo do nível geral – este último, principalmente pela cocção excessiva de camarões e vieiras.

No que diz respeito ao ritmo e, digamos, à curva de desempenho, todas as refeições finalizaram bem. A doçaria do Loi é convincente tanto em sobremesas como o tortino de chocolate (R$ 32, servido com vinho do Porto) e o pudim de pistache (R$ 32) como no bolinho que acompanha o café (R$ 7): trata-se da levíssima veneziana, clássico da pasticceria feito com amêndoas.

Por que este restaurante?
É a nova casa de um chef consagrado. Pelo cardápio com sugestões autorais, inclusive de inspiração sarda.

Vale?
O almoço executivo custa R$ 85. Pelo carta, o repasto sai por volta de R$ 200, sem bebidas. Os preços, altos, não são para todo dia. Vale conhecer.

SERVIÇO – Loi Ristorantino
R. Dr. Melo Alves, 674, Jd. Paulista
Tel.: 3063-0977
Horário de funcionamento: 12h/15h e 19h/0h (6ª, até 1h; sáb., 12h/17h e 19h/1h; dom., 12h/17h; fecha 2ª)
Cc.: todos
Estac.: Manob. R$ 18

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 15/5/2014

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